ICV e extrativistas mapeiam castanhais em Mato Grosso

ICV e extrativistas mapeiam castanhais em Mato Grosso

Oficina de Mapeamento Participativo dos Castanhais, oferecida pelo ICV para a Associação dos Coletores e Coletoras de Castanha-do-Brasil do PA Juruena, visa diagnosticar os castanhais na região de Cotriguaçu

Extrativistas da Associação dos Coletores e Coletoras de Castanha-do-Brasil do PA Juruena (ACCPAJ) agora contam com novas ferramentas para melhorar a produção de castanha-do-brasil no Noroeste de Mato Grosso. Eles participaram na semana passada da 1ª Oficina de Mapeamento Participativo dos Castanhais, oferecida pela equipe do Instituto Centro de Vida (ICV), em parceria com a ONF-Brasil (Escritório Nacional das Florestas) na Fazenda São Nicolau, em Cotriguaçu.

Os extrativistas aprenderam a utilizar ferramentas tecnológicas como GPS e imagens de satélite para mapear castanhais dentro das áreas de florestas – recursos que vão ajudar muito a melhorar o manejo dos castanhais e da produção da castanha-do-Brasil, bem como na redução de custos de produção. “Conseguimos diminuir o tempo de trilha que normalmente fazemos” conta o castanheiro Silvio José Bragança de Souza. “Usando o GPS, fizemos em 20 minutos o que antes era feito em uma hora. Isso melhora e muito o rendimento no trabalho”.

Com esse treinamento, os participantes conseguem levantar informações que facilitam a coleta, como identificação do tamanho e localização das áreas, pontos de referências e trilhas de acesso. O mapeamento comunitário também fortalece as relações entre os coletores e proprietários rurais e garante melhor monitoramento e conservação das áreas de coleta.

 

Nos três dias de oficina, a equipe do ICV também realizou os primeiros mapeamentos dos castanhais da região utilizando aeronave remotamente pilotada (RPA, na sigla, em inglês), ou popularmente conhecido como drone. A partir das imagens feitas, é possível compreender o potencial de utilização dessa tecnologia no dia a dia dos coletores e coletoras. “Já neste primeiro momento, conseguimos identificar as castanheiras na floresta e mapear o potencial de novas áreas para coleta. As imagens obtidas com o drone validam o mapeamento e facilitam o reconhecimento de novas áreas disponíveis”, conta Vinícius Silgueiro, coordenador de Geotecnologias do ICV.

As informações também servem para subsidiar o Plano de Manejo Florestal Sustentável Simplificado Não-Madeireiro, que será elaborado para as áreas de coleta da ACCPAJ. Embora a regulamentação do manejo de produtos florestais não-madeireiros em Mato Grosso ainda esteja em elaboração, a oficina utilizou os parâmetros já em discussão para realizar este mapeamento.

“Esse trabalho é muito importante porque ajuda a diagnosticar o potencial produtivo da cadeia extrativista da castanha-do-Brasil na região. O mais importante é entender o tamanho das áreas, onde estão e como o uso de ferramentas pode facilitar o trabalho dos coletores e coletoras”, explica Vinícius.

Redes Socioprodutivas

A oficina faz parte das atividades do projeto Redes Socioprodutivas, uma iniciativa do Instituto Centro de Vida apoiado pelo Fundo Amazônia/BNDES. Iniciado em janeiro de 2018 possui previsão de execução de 30 meses e foco em seis cadeias socioprodutivas: castanha, babaçu, hortifrutigranjeiros, leite, cacau e café. A iniciativa atuará diretamente com associações e cooperativas de agricultores familiares distribuídos nos municípios do Norte – Alta Floresta, Paranaíta, Nova Monte Verde e Nova Bandeirantes –, e Noroeste – Cotriguaçu e Colniza – de Mato Grosso.

Confira mais imagens do evento clicando aqui.