O Núcleo de Inteligência Territorial atua com os programas do Instituto Centro de Vida (ICV) na adoção de técnicas e metodologias replicáveis para o uso de geotecnologias na gestão ambiental na Amazônia.
Ao longo dos últimos anos, tornou-se uma referência sobre a dinâmica territorial do bioma para pesquisadores, jornalistas e gestores públicos no Brasil e no exterior.
Na quinta reportagem da série especial sobre programas e núcleos da entidade, que completou 29 anos na terça-feira (14), vamos conhecer esse trabalho.
Sensores remotos como satélites e drones, Sistema de Posicionamento Global (GPS) e o Sistema de Informação Geográfica (SIG, usado no gerenciamento das informações coletadas, elaboração de mapas e análises) compõem o conjunto de tecnologias utilizadas pelo núcleo para mapear, analisar e monitorar os territórios onde atua o ICV.
As ações visam atingir o que o engenheiro florestal e coordenador do núcleo Vinícius Silgueiro define como inteligência territorial. “Em todos os projetos em que o ‘onde’ é uma informação necessária, nós estamos juntos. A atuação do núcleo subsidia, com base técnico-científica, uma gestão inteligente dos territórios”, define.
Do micro ao macro
Para isso, a equipe busca compreender a dinâmica do uso do solo e dos recursos naturais e, a partir desses dados, aplica técnicas de planejamento e monitoramento das áreas produtivas, da vegetação nativa e da restauração das áreas degradadas.
“Ajudamos na construção de soluções para manter a floresta em pé, para a adoção de práticas de produção sustentáveis e que garantam qualidade de vida às populações”, complementa Vinícius.
Como exemplo disso, o projeto Redes Socioprodutivas, conduzido pelo programa de Negócios Sociais do ICV, conta com o apoio do núcleo na implementação dos sistemas produtivos, principalmente do leite, café, hortifrúti e sistemas agroflorestais.
Em capacitações oferecidas pela equipe, as tecnologias também são apropriadas pelos técnicos dos programas e pelas famílias beneficiárias dos projetos.
Foi o caso das famílias extrativistas de castanha-do-brasil em Cotriguaçu, que mapearam e identificaram as castanheiras em levantamento que tornou possível a elaboração do Plano de Manejo Florestal Sustentável da Castanha-do-Brasil, o primeiro desse tipo em Mato Grosso, que visa garantir a extração sustentável do recurso na região.
Para as atividades, a iniciativa utiliza dados primários coletados em campo, como imagens de drone e levantamentos de GPS, e fontes de dados secundários, principalmente públicos.
Com isso, as informações podem ser dispostas, analisadas e cruzadas em um contexto mais amplo. “Desde a propriedade, municípios, região, estado ou Amazônia”, definiu o engenheiro.
Dados técnicos como apoio para políticas públicas
O núcleo foi pioneiro em mapear e analisar a ilegalidade do desmatamento em Mato Grosso, um trabalho de referência em nível internacional, em conjunto com a iniciativa de Transparência Ambiental.
Também foi responsável por consolidar o mapeamento e publicação da ilegalidade na exploração madeireira no estado, o que resultou em uma parceria técnica junto ao órgão ambiental estadual (Sema) e tornou oficiais os dados produzidos.
Vinícius classificou a articulação como uma conquista que reflete um dos objetivos do núcleo de oferecer embasamento técnico aos órgãos públicos e, assim, incidir na implementação de políticas públicas ambientais assertivas.
“Os dados que trabalhamos e informações que geramos possibilitam mostrar os efeitos de discursos, práticas e políticas nos níveis de desmatamento, por exemplo, e de forma geral, no uso do solo e dos recursos naturais ”, afirma.
Recentemente, o núcleo também elaborou o mapeamento de casos do novo coronavírus (COVID-19) no estado do Mato Grosso, atualizado diariamente e mostrando a proximidade de aldeias indígenas aos infectados.
A ação compõe um plano emergencial articulado pela Federação Estadual dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (FEPOIMT) e entidades parceiras para conter a disseminação do vírus em aldeias indígenas do estado.
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