Covid Fora das Aldeias

Acompanhe no mapa a contagem oficial de casos de Covid-19 em Mato Grosso e proximidade com os territórios indígenas

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Informação correta é fundamental nessa hora!

Recomendamos acompanhar os canais abaixo para ficar por dentro do assunto e ajudar a manter a Covid-19 fora das aldeias. Acompanhe notícias e informações de todos os povos do Brasil no site Quarentena indígena, uma comunidade para divulgação, articulação e mobilização de suporte aos povos indígenas em tempos de pandemia de coronavírus.

Outras fontes importantes:

 

 


Precisamos manter o coronavírus fora das aldeias!

Desde o início da epidemia em dezembro de 2019, o mundo está travando uma luta global contra a disseminação do coronavírus. Declarada como pandemia mundial pela Organização Mundial da Saúde dia 11 de março de 2020, a transmissão rápida da doença e o risco que ela representa para diversos públicos levou muitos países a adotarem medidas de isolamento social para limitar o número de mortes e não sobrecarregar os sistemas de saúde.

As populações indígenas de MT precisam ter os meios para se proteger da COVID-19. Para isso, a Federação Estadual dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (FEPOIMT) se mobilizou e, junto com parceiros como o Instituto Centro de Vida (ICV), estruturou um plano emergencial para barrar a COVID19 nas aldeias.

A vulnerabilidade dos povos indígenas em MT

Os povos indígenas em MT formam um grupo de 45 mil pessoas distribuídas em 43 etnias. A ausência da adoção de medidas emergenciais direcionadas a estes grupos pode levar a várias mortes provocadas pelo descontrole do coronavírus dentro das aldeias.

O suporte e a assistência dos governo Federal e Estadual, por meio da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), Secretaria Especiais de Saúde Indígena (SESAI) e Superintendência de Assuntos Indígenas (SAI/MT), a essas comunidades é insuficiente para assegurar o acesso à informação, alimentos, remédios e produtos de higiene, bem como a disponibilização de produtos de proteção as equipes dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs).

Não existem ainda medidas claras e específicas para o controle de fluxo de pessoas, recursos humanos e financeiros e muito menos um plano de ações de combate à COVID19 por parte dos Municípios e Estado de MT.

A Política de Isolamento nas aldeias, quando se trata de grupos que vivem em habitações comuns com muitas pessoas, não faz sentido em muitos grupos indígenas. É necessário controlar a entrada de indígenas com sintomas nas aldeias, mas isto não é simples. Do ponto de vista operacional, é difícil fazer esse controle.

Além disto, existe ainda pouca informação oficial direcionada a esses grupos, recursos para detecção e deslocamento para um centro de saúde preparado e especializado para o tratamento.

Saúde em risco

Diversos estudos mostram elevadas prevalências de diferentes doenças e agravos à saúde na população indígena, como desnutrição e anemia em crianças e doenças infecciosas como malária, tuberculose, hepatite B. Também há ocorrência cada vez mais frequente, em adultos, de hipertensão, diabetes, obesidade e doenças renais. Tais comorbidades tornam essas pessoas mais vulneráveis a complicações, gerando preocupação sobre o modo como a epidemia poderá se comportar na população indígena, em termos de evolução e gravidade.

Representando um terço da população indígena de Mato Grosso, os xavantes são um exemplo concreto dessa preocupação com uma taxa de casos de diabetes quatro vezes superior à média nacional. Em Mato Grosso, muitas das aldeias indígenas não são lugares isolados das cidades e possuem dinâmicas intensas de entradas e saídas.

Finalmente, as dificuldades de saneamento e acesso à água bem como as deficiências dos sistemas locais de atendimento de saúde em termos de equipamentos, recursos humanos e logística podem levar a um aumento completamente descontrolado de casos seguido de um número elevado de óbitos.

 


Quem somos

FEPOIMT

A Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (FEPOIMT) representa os povos indígenas do Estado e é defensora dos interesses coletivos inerentes à população indígena. A instituição tem a responsabilidade de atuar nas esferas governamentais e sociedade civil na articulação de indicação das demandas prioritárias das aldeias e nas possíveis soluções. Em especial, na implementação de políticas públicas voltadas à população indígena, respeitando as diversidades socioculturais. A federação é composta por sete regiões: Cerrado/Pantanal; Kayapó Norte; Médio Araguaia; Noroeste; Xavante; Vale do Guaporé e Xingu.

A FEPOIMT, assim como outras entidades indígenas nasce do anseio do movimento e está na luta, pois acredita que todos juntos somos mais fortes. Com pouco tempo de existência, sua primeira missão foi realizar um processo histórico de consulta pública respeitando todas as diversidades socioculturais dos 43 povos e a convenção 169 da OIT. O trabalho resultou na construção com participação do subprograma Territórios Indígenas do REM, concluído na última assembleia realizada nos dias 28 a 30 de novembro de 2018, no Posto Leonardo Villas Boas, no Xingu, município de Gaúcha do Norte (MT).

ICV

Fundado em 14/04/1991, o ICV é uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP) que tem por missão construir soluções compartilhadas para sustentabilidade do uso da terra e dos recursos naturais. Nossa visão de futuro para Mato Grosso é que o estado se torne referência em governança ambiental e controle do desmatamento, com as áreas protegidas efetivamente conservadas e manejadas, uma produção empresarial agropecuária e florestal pautada em práticas sustentáveis, uma agricultura familiar fortalecida com base agroecológica e infraestrutura com impactos reduzidos.

Programa de Direitos Socioambientais do ICV

Com instrumentos e facilitação diferenciada, o programa procura construir capacidade coletiva para incidir sobre políticas públicas, tanto no desenvolvimento quanto na implementação. Por meio de parcerias e redes, a iniciativa atua potencializando a incidência de organizações de base, como associações indígenas, coletivos e movimentos sociais na garantia e contra as violações de seus direitos e do território.

Atuando em rede com parceiros como a Operação Amazônia Nativa (OPAN), o programa desenvolve ações que buscam fortalecer a atuação de lideranças Defensores de Direitos Indígenas na região Noroeste (rio Juruena) e Norte (rio Teles Pires) e em nível estadual desde 2017, temos apoiado a FEPOIMT no diálogo com atores governamentais e não governamentais na construção e acompanhamento da implementação do subprograma Territórios Indígenas do Programa REM, do Governo do Estado De Mato Grosso.

 

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