Pará registra maior exploração madeireira dos últimos cinco anos

05 nov 2026
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Pará registra maior exploração madeireira dos últimos cinco anos

Autor: Assessoria de Imprensa

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Entre agosto de 2024 e julho de 2025, o Pará registrou 60.664 hectares de exploração madeireira, a maior área em cinco anos. Do total mapeado, 41.538 hectares (68%) foram explorados em áreas autorizadas e 19.126 hectares (32%) de forma ilegal. Os dados são do Sistema de Monitoramento da Exploração Madeireira (Simex), da Rede Simex, que integra três instituições de pesquisa ambiental: Imazon, ICV e Imaflora.

O resultado representa um aumento de aproximadamente 40% em relação ao ciclo anterior, de agosto de 2023 a julho de 2024. Enquanto a atividade autorizada cresceu mais de 83% em relação ao último calendário, a realizada sem autorização diminuiu cerca de 6%. Com isso, o Pará alcançou a segunda menor área de exploração madeireira dos últimos cinco anos, atrás apenas do período de agosto de 2021 a julho de 2022, quando foram registrados 17.897 hectares.

Por meio de imagens de satélite, os pesquisadores identificam as áreas onde houve retirada de madeira e verificam se havia autorização para a atividade, ou seja, se foi realizada sob manejo florestal sustentável aprovado pelo órgão competente. Para isso, consultam informações do Sistema de Monitoramento e Licenciamento Ambiental do Pará (Simlam-PA), da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas-PA), do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio) e do Serviço Florestal Brasileiro (SFB). Em imóveis privados, o sistema avalia a consistência das autorizações emitidas pela Semas-PA, cruzando as informações dos documentos com as imagens de satélite.

A pesquisadora do Imazon, Camila Damasceno, explica que a redução da extração ilegal é algo positivo, mas ainda representa uma extensão equivalente a mais de 19 mil campos de futebol de florestas afetadas. “Os números mostram que há muito a avançar. Precisamos fortalecer a fiscalização, ampliar as ações de combate e responsabilização dos infratores e criar mecanismos de incentivo ao manejo florestal, principalmente o comunitário”, pontua.

Carlos Souza Jr., coordenador do programa de monitoramento da Amazônia do Imazon, completa: “Comemorar apenas a queda percentual da área seria ignorar o impacto concreto na floresta. Considerando um cenário conservador de extração de 2 a 3 árvores por hectare, foram derrubadas e inseridas no fluxo comercial entre 38 mil e 57 mil árvores, sem plano de manejo, vistoria ou rastreabilidade de sua procedência. Quando essa quantidade massiva de madeira chega ao mercado sem garantia de origem, todo o setor florestal é prejudicado, enfraquecendo os esforços de transparência e os investimentos de quem opera de forma regularizada no estado”.

Paragominas reduz índice de ilegalidade em quase 70%

Entre os dez municípios paraenses com maior exploração madeireira ilegal entre agosto de 2024 e julho de 2025, Ipixuna do Pará ocupa a primeira posição, com 2.380 hectares. Na sequência, aparecem Rondon do Pará, com 2.371 hectares, e Moju, com 2.304 hectares. Somados, os três concentram 7.055 hectares, o equivalente a quase 37% de toda a atividade sem autorização detectada no estado.

Outro destaque é Tomé-Açu, que ocupa o quarto lugar no ranking, com 1.729 hectares. A cidade chama a atenção por aparecer entre os dez com maior extensão sem regularização desde o início do levantamento da Rede Simex, evidenciando a permanência do problema.

Já Paragominas apresenta um cenário de queda. Embora também apareça entre os que tiveram maior extração sem autorização desde o início dos registros da Rede Simex, conseguiu reduzir essa atividade em quase 70%. A área identificada passou de 3.823 hectares, entre agosto de 2023 e julho de 2024, para 1.170 hectares, de agosto de 2024 a julho de 2025.

A presença frequente de algumas localidades entre as que mais registram exploração ilegal reforça a necessidade de ações de fiscalização direcionadas, afirma Camila. “Rondon do Pará e Goianésia do Pará, por exemplo, aparecem nessa relação há cinco anos. Essa repetição demonstra que é preciso intensificar a atuação dos órgãos responsáveis pelo controle ambiental, além de fortalecer alternativas de produção sustentável que contribuam para reduzir a pressão sobre a floresta”, observa.

Terras indígenas concentram apenas 2% da exploração ilegal, mas invasões persistem

As terras indígenas registraram 424 hectares de extração de madeira ilegal entre agosto de 2024 e julho de 2025. Esse é o segundo menor volume da série histórica do Simex, ficando atrás apenas do calendário de agosto de 2019 a julho de 2020, quando foram identificados 158 hectares. O resultado corresponde a apenas 2% de toda a atividade sem autorização detectada no Pará, reforçando a importância desses territórios como barreiras à expansão de crimes ambientais.

Apesar desse cenário, toda a ilegalidade identificada no período ficou concentrada em um único local: a Terra Indígena Amanayé. Camila enfatiza que esta é a quinta vez consecutiva em que a TI aparece nos boletins da Rede Simex, evidenciando a continuidade das invasões.

“A redução da extensão afetada não significa que o problema esteja resolvido. A ocorrência de exploração ilegal em uma área protegida é extremamente sensível e exige atenção urgente. Além dos danos ambientais, essas ações representam violações aos direitos dos povos originários, expondo as comunidades a conflitos, ameaças e restrições ao direito de circular livremente em sua própria terra, com possíveis impactos sobre a saúde e os modos de vida tradicionais”, explica a pesquisadora.

As terras indígenas registraram 424 hectares de extração de madeira ilegal entre agosto de 2024 e julho de 2025. Esse é o segundo menor volume da série histórica do Simex, ficando atrás apenas do calendário de agosto de 2019 a julho de 2020, quando foram identificados 158 hectares. O resultado corresponde a apenas 2% de toda a atividade sem autorização detectada no Pará, reforçando a importância desses territórios como barreiras à expansão de crimes ambientais.

Apesar desse cenário, toda a ilegalidade identificada no período ficou concentrada em um único local: a Terra Indígena Amanayé. Camila enfatiza que esta é a quinta vez consecutiva em que a TI aparece nos boletins da Rede Simex, evidenciando a continuidade das invasões.

“A redução da extensão afetada não significa que o problema esteja resolvido. A ocorrência de exploração ilegal em uma área protegida é extremamente sensível e exige atenção urgente. Além dos danos ambientais, essas ações representam violações aos direitos dos povos originários, expondo as comunidades a conflitos, ameaças e restrições ao direito de circular livremente em sua própria terra, com possíveis impactos sobre a saúde e os modos de vida tradicionais”, explica a pesquisadora.

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