Pesquisadores e especialistas defendem que as bacias hidrográficas sejam utilizadas como referência para o ordenamento territorial do estado de Mato Grosso. Isso é, que toda a área de contribuição de água de um rio, desde a nascente até a sua foz, seja levada em conta na criação de zonas e subzonas para o Zoneamento Socioeconômico e Ecológico (ZSEE) de Mato Grosso.
Esse é o principal tópico de discussão do seminário “Bacias Hidrográficas e Ordenamento Territorial”, realizado na próxima quarta (25) na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá. A doutora Rosely Sanches, representante do Instituto Socioambiental (ISA) na Comissão do ZSEE, explicou que o ordenamento territorial é uma forma de planejar, pensar e organizar os usos e a ocupação de um determinado espaço.
“A bacia hidrográfica representa uma das unidades de planejamento e ordenamento territorial. Conhecer onde estão as nascentes e toda a área de captação de um determinado córrego ou rio é fundamental para conservá-las e garantir seu uso equilibrado e sobrevivência”, disse.
O professor e procurador Alexandre Luís Cesar sustenta que as bacias hidrográficas são unidades naturais de planejamento ideais e que superariam, por exemplo, fronteiras político-administrativas, que são definidas sem levar em conta os aspectos socioambientais.
“Essa pauta é importante por diversos aspectos, de natureza social, econômica e ambiental. Primeiro, porque, sendo Mato Grosso um estado economicamente diverso, o seu ordenamento territorial é imprescindível para um diagnóstico adequado das causas das desigualdades regionais e o direcionamento de recursos públicos e privados para mitigá-las”, explicou.
De toda a Amazônia Legal, Mato Grosso é o único estado que ainda não concluiu seu Zoneamento Socioeconômico-Ecológico. Para os pesquisadores, a falta de implementação desse instrumento coloca em risco os investimentos públicos e privados e representa uma ameaça para a sociobiodiversidade do estado.
O analista de geotecnologias do Instituto Centro de Vida (ICV), Lucas Araújo, reforçou que as bacias como referência para delimitação do espaço geográfico são uma forma de planejar melhor as atividades econômicas e calcular os impactos que elas têm nas populações que residem no entorno.
“Por exemplo, se você tem uma atividade de mineração na cabeceira de um rio, você pode atingir comunidades de pescadores que vivem na foz daquele rio. Utilizando as bacias hidrográficas como unidades de planejamento, você consegue ter essa previsão. Diferente de você definir unidades territoriais básicas, através de limites político-administrativos, como os municípios.”
O objetivo do evento é promover o debate técnico, científico e institucional sobre metodologias, aplicações e implicações da utilização das bacias hidrográficas como planejamento territorial. Foram convidados estudiosos, pesquisadores, técnicos, gestores públicos e a sociedade civil para o debate.
“Queremos também trazer estudos de casos, então trazer exemplos de como essa metodologia vem sendo aplicada, exemplos práticos que já estão acontecendo ou que já aconteceram para que a gente possa vislumbrar como isso pode ocorrer no estado de Mato Grosso. Também queremos abordar temas inovadores, como a presença de sítios arqueológicos dentro desse ordenamento”, concluiu.
Além da UFMT, o evento é organizado pelo Instituto Centro de Vida (ICV), Instituto Socioambiental (ISA), Associação Xaráes, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), Sociedade Fé e Vida, Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt), Operação Amazônia Nativa (OPAN), com apoio do Ministério Público do Estado de Mato Grosso e do projeto Governança Hídrica Participativa da Bacia do Tapajós.

Data: 25/02/2026
Hora: 8h às 16h30
Local: Instituto de Geografia, História e Documentação – UFMT
Link para transmissão: youtube.com/live/nQCpaPsQHhU?feature=share
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