Entre os dias 22 e 28 de março, o Instituto Centro de Vida (ICV) integrou uma missão internacional à China, reunindo organizações da sociedade civil brasileira em uma agenda voltada ao fortalecimento da cooperação entre os dois países em temas centrais para o futuro do planeta.
Além do ICV, a delegação foi composta por representantes do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Instituto Clima e Sociedade (iCS), Plataforma CIPÓ, Imazon e O Mundo Que Queremos.
A iniciativa conectou instituições brasileiras e chinesas em torno de desafios comuns, como a crise climática, a transição energética, o uso sustentável da terra e o desenvolvimento de cadeias produtivas alinhadas a uma economia de baixo carbono. A programação incluiu encontros institucionais, intercâmbios técnicos e um workshop em Pequim dedicado à construção de agendas conjuntas de pesquisa e ação.
Em um cenário global de urgência climática, Brasil e China ocupam posições-chave, tanto pela relevância ambiental quanto pelo peso econômico. A aproximação entre organizações dos dois países amplia as possibilidades de cooperação científica e de implementação de soluções que dialogam com a escala dos desafios enfrentados.
Ao longo da missão, foram discutidas oportunidades de colaboração em áreas como agricultura sustentável, restauração florestal, combate ao desmatamento, sistemas alimentares e rastreabilidade de cadeias produtivas. A troca de experiências também destacou o potencial de integração entre conhecimento científico, inovação tecnológica e políticas públicas orientadas por dados.
Nesse contexto, o fortalecimento da cooperação entre países do Sul Global aparece como um caminho estratégico para enfrentar desafios comuns e ampliar o impacto das soluções construídas.
“Em um mundo cada vez mais quente e também mais instável do ponto de vista geopolítico, é fundamental fortalecer os laços na produção e no compartilhamento de informações sobre sustentabilidade, uso dos recursos naturais e comércio internacional entre países do Sul Global. Esse é um caminho estratégico para reduzir a pegada climática das cadeias de suprimento. A China é destino de 60% a 70% da soja, além de outras commodities produzidas em Mato Grosso, e foi muito importante perceber o interesse dos parceiros chineses em compreender melhor esses sistemas produtivos”, afirma Alice Thuault, diretora executiva do Instituto Centro de Vida (ICV).
A participação do ICV na missão reforça compromissos presentes na Visão 2030 da instituição, especialmente no que diz respeito à promoção de territórios mais sustentáveis, ao fortalecimento da governança ambiental e à ampliação da transparência e do uso de dados para orientar decisões.
Dentro dessa perspectiva, a cooperação internacional também se coloca como um vetor importante para transformar cadeias produtivas e impulsionar práticas mais sustentáveis.
“A cooperação bilateral entre Brasil e China tem um enorme potencial de impulsionar inovações que tornam as cadeias de suprimentos mais sustentáveis, conectando produção, ciência e responsabilidade socioambiental”, destaca Ana Valdiones, coordenadora do Instituto Centro de Vida (ICV).
Outro ponto central das discussões foi o papel do comércio internacional na indução de práticas mais sustentáveis. A relação entre Brasil e China, uma das mais relevantes no cenário global, pode se tornar um vetor importante para estimular critérios socioambientais mais robustos nas cadeias produtivas, especialmente no setor agropecuário.
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