De janeiro a 15 de junho deste ano, quase 240 mil hectares foram atingidos pelo fogo em Mato Grosso. O número representa uma redução de 76% da área queimada em relação ao ano anterior e também a menor área afetada desde o início da série história da Nasa, em 2019.
Apesar disso, 86% do total queimado ocorreu de forma não autorizada. A análise é do Instituto Centro de Vida (ICV) e os dados estão disponíveis no Monitor de Áreas Atingidas pelo Fogo em Mato Grosso, no Portal de Inteligência Territorial.
Conforme explicou o coordenador do Núcleo de Inteligência Territorial do ICV, Vinicius Silgueiro, o volume de chuvas nesse período ficou acima da média histórica, o que pode ter contribuído para a redução dos focos de calor. Em Cuiabá, por exemplo, abril foi o mês mais chuvoso desde 1961, conforme o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).
“Mesmo que o cenário seja considerado positivo, isso não exclui a atenção necessária nos próximos meses, em que a seca irá se intensificar no estado. As altas temperaturas e a ausência de chuvas têm seu auge em agosto e setembro. Nessa época, é fundamental que o fogo seja detectado e combatido logo no início, aumentando a chance de controle e evitando incêndios de grandes proporções”, disse Silgueiro.
Mato Grosso é o 3º estado mais afetado pelo fogo na Amazônia Legal em 2025. Tocantins ocupa o 1º lugar, com 302 mil hectares, seguido por Roraima, com 256 mil hectares. Em relação aos biomas, 62% das áreas afetadas se concentram na Amazônia, seguida pelo Cerrado, com 36%, e do Pantanal, com 1%.
Apesar de a área queimada no Pantanal em 2025 estar abaixo dos anos anteriores, 217 hectares foram atingidos apenas no período proibitivo, que teve início em 1 de junho. Os incêndios florestais foram registrados em Cáceres, sendo 183 hectares em imóveis rurais privados cadastrados e 30 hectares em assentamentos rurais.
“O período proibitivo tem como objetivo coibir o uso do fogo em práticas rurais na época em que as condições climáticas tornam o risco de incêndios maior. Ela é uma medida preventiva e visa eliminar o fator de ignição por ação humana, que nessa época responde pela origem de quase todas as queimas iniciadas”, explicou.
Categorias
A categoria fundiária com maior incidência de áreas atingidas pelo fogo foi a de imóveis rurais privados cadastrados. Eles foram responsáveis por 75% das queimadas no estado durante o período analisado, seguido por terras indígenas (12%), assentamentos rurais (6,4%) e áreas não cadastradas (5,6%).
Os municípios mais afetados foram Paranatinga (16.,270 ha), Tangará da Serra (14.14,04 ha), Gaúcha do Norte (12.090 ha), Nova Maringá (9.630,6 ha) e Brasnorte (9.240,2 ha), respectivamente. Juntos, esses cinco municípios representam 26% do total de área atingida.
“O mapeamento e a caracterização dos locais de ocorrência do fogo demonstram o potencial de identificar e responsabilizar os infratores, no caso das queimas não autorizadas. Essa predominância em imóveis rurais privados cadastrados e assentamentos indicam o uso do fogo e sua associação às práticas agropecuárias”, finalizou Silgueiro.
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