– Gustavo Nascimento / ICV
Na última sexta-feira (21) foi realizado na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso o Ciclo de palestras e debates para o Rio+20 em busca de uma economia sustentável. O evento faz parte de uma série de reuniões referente à Conferência das Nações Unidas Rio + 20, que irá acontecer em junho de 2012.
O objetivo principal do evento foi debater a sustentabilidade dos recursos hídricos no Brasil e o futuro das questões ambientais de Mato Grosso. De acordo com dados da Organização Mundial do Meio Ambiente, Mato Grosso possui 5,24% da água doce disponível do planeta. De toda quantidade de água potável existente na Terra, 18% se encontram no Brasil e cerca de 89% está concentrada nas regiões Norte e Centro-Oeste.
Para Sérgio Guimarães, coordenador do programa de Políticas Públicas do Instituto Centro de Vida (ICV), que participou como palestrante do evento, se o Estado de Mato Grosso quer realmente debater estas questões tem que, primeiro, avaliar as recentes decisões que vão totalmente contra estes cuidados. Ele cita, por exemplo, o caso do Zoneamento Socioeconômico e Ecológico do Estado aprovado (ZSEE-MT) que reduziu as Áreas que Requerem Manejo Específico pelo Elevado Potencial Hídrico de 146 mil para 26 mil quilômetros quadrados. Uma redução de 82% em contrapartida com a área destinada para agricultura de alto impacto que aumentou 83% em relação a proposta original.
“Não podemos continuar falando de Rio+20 sem resolver este problema dentro da nossa casa, temos que restaurar a categoria de recursos hídricos no zoneamento, afinal, o Estado de Mato Grosso é um ponto estratégico para os recursos hídricos tanto para o Brasil quanto para o Mercosul. E não cuidar das águas que nascem aqui pode comprometer não só a economia e a vida de Mato Grosso, mas do Brasil e de alguns países da América Latina”.
Ele falou também sobre outro ponto que interfere na questão hídrica do estado: o crescente e desenfreado aumento do número de Usinas Hidrelétricas e PCH’s (Pequenas Centrais Hidrelétricas) propostas para instalação nos rios mato-grossenses sem o devido estudo ambiental. “É um ponto de atenção, o número de PCH’s e Hidrelétricas está proliferando e o que é pior sem os devidos estudos de impacto ambiental. Precisamos encontrar uma solução para estar de acordo com a Rio+20. Agora como garantir que vamos ter estes pontos incorporados pela frente ambientalista nas discussões da Rio+20?”, indagou o coordenador durante a fala em plenária.
Cerca de 300 pessoas, entre representantes do poder executivo, legislativo, organizações e movimentos sociais, assistiram ao ciclo de debates , organizado pelo deputado federal Sarney Filho, coordenador nacional da Frente Parlamentar Ambientalista. Porém, no final do debate, quando a sociedade foi convocada a se manifestar quase não havia mais representantes políticos na plenária.
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