O Instituto Centro de Vida (ICV) está desde 2015 utilizando novas metodologias para restaurar áreas de preservação permanente (APPs) nos municípios de Alta Floresta, Carlinda e Paranaíta, norte de Mato Grosso. Na primeira fase foram restaurados 30 hectares, que hoje estão em processo de monitoramento. Até o final de janeiro serão mais 37 hectares de áreas de preservação permanente (APPs) recuperados utilizando técnicas de plantio mecanizado – mix de cerca de 50 diferentes tipos de sementes; manual com matraca e à lanço (adaptado ao trator e manual).
O restauro florestal busca reproduzir matas remanescentes, que já existiam nas propriedades, através do plantio de sementes nativas ao redor de nascentes. Dessa forma, as áreas degradadas serão recuperadas aumentando o potencial hídrico das 14 fazendas envolvidas. O proprietário entra com insumos, trator e parte da mão-de-obra e o ICV com as sementes, complementando a mão-de-obra, além da etapa inicial que envolveu um diagnóstico ambiental e agrícola, definindo o que precisa ser recuperado em cada área. “Na pecuária, existem muitos controles naturais de pragas que ocorrem com maior eficácia em pastagens próximas as florestas. Na agricultura não é diferente, a soja depende de muitos seres polinizadores que contribuem para boa produção. A floresta é um grande aliado do produtor rural”, destaca Diego Ottonelli de Bona, analista de restauro florestal do ICV.
A chuva, que muitas vezes perdura o dia todo, tem sido um desafio, mas já há sementes germinando e proprietários interessados em expandir a área prevista. “É interessante ver que muitos produtores se disponibilizam a conversar com os vizinhos para falar sobre a importância de restaurar”, destaca Eriberto Muller, analista ambiental da Iniciativa Municípios Sustentáveis do ICV. Outro desafio é que neste período está sendo feita a reforma de pastagens nas propriedades e a colheita da soja, atividades que também demandam tempo dos proprietários.
Dirceu Zaura, um dos proprietários da fazenda Concórdia, que trabalha com pecuária de corte e leite, irá restaurar, neste ano, 10 hectares da área que tem junto com os irmãos. O total de área que pretende restaurar está à frente do que prevê o atual Código Florestal. Pela legislação atual ele deveria restaurar 5 metros nos córregos e 15 nas nascentes, mas os irmãos estão seguindo a legislação antiga, chegando a seis vezes mais do que o que deve ser cumprido. “O restauro não é só um questão da lei, é uma necessidade para termos água”, analisa Dirceu. Ele também comenta sobre muitos animais que antes ficavam no mato e hoje têm se aproximado da casa. Com o retorno da vegetação será possível devolver o habitat natural dos bichos.
Valdir Patel, sojicultor e pecuarista, está apostando em corrigir erros do passado ao restaurar. “Desmatamos, agora vamos consertar. Tenho incentivado outros proprietários a se regularizarem lembrando que a água é importante para a produção”, avalia ele que irá recuperar 4.8 hectares da área de mil hectares.
Os próximos passos da atuação do ICV no restauro envolvem a avaliação da germinação e, em fevereiro, a implantação de parcelas permanentes para acompanhamento e avaliação do sucesso da restauração. As avaliações serão feitas antes do período de seca, em maio e após, em setembro para verificar as plantas que sobreviveram à falta de chuva.
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