06 ago 2013
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ICV apresenta resultados do projeto sobre pecuária durante dia de campo

Autor: Assessoria de comunicação

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Andrés Pasquis / ICV

O Instituto Centro de Vida (ICV) realizou, no final de julho, na Fazenda Paraíso, em Alta Floresta, um dia de campo com os pecuaristas participantes do Projeto Pecuária Integrada de Baixo Carbono, onde foram apresentados os primeiros resultados após a implantação das dez Unidades de Referência Tecnológicas (URTs) em recuperação e manejo de pastagens nas propriedades.

O objetivo do encontro foi apresentar os dados gerados na URT e explicar a importância de se fazer um planejamento para suplementação alimentar durante o período de seca, quando o capim tem uma queda significativa de produção e proteína. Para não ter prejuízo, o pecuarista precisa disponibilizar outras fontes de alimentos aos bovinos. Neste sentido, existem alguns sistemas que proporcionam esta compensação, como por exemplo, o semi-confinamento, onde os animais são mantidos a pasto e recebem ração como parte complementar da dieta. É importante destacar que, ao implantar este tipo de sistema, o animal continuará ganhando peso na estação de seca, resultando em um abate mais precoce e em uma carne de melhor qualidade, além de aliviar a carga nas pastagens.

Essa é uma das Boas Práticas Agropecuárias que os técnicos do ICV e consultores transmitem aos pecuaristas durante as diferentes fases do projeto ao longo do ano. “É imprescindível entender que a suplementação, assim como a proteção dos recursos naturais, a rotação de pastagens, a vacinação do gado entre outras práticas, precisam ser implantadas tendo a visão sistêmica da propriedade, buscando, dessa forma, conservar os recursos disponíveis e gerar um aumento na produção e renda”, explica Vando Telles, coordenador do projeto.

Estas explicações foram ilustradas com a visita na Fazenda Paraíso, de Aldo Danetti, onde puderam ser vistos as pastagens, piquetes, áreas de lazer e outros componentes da URT. Eduardo Florence, analista de pecuária sustentável do ICV, e os consultores Fabiano Alvim Barbosa e Filipe Lage Bicalho, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), expuseram vários indicadores da produtividade alcançada em seis meses de aplicação das BPAs nessa propriedade. “Com o trabalho efetuado e os esforços para aplicar as boas práticas, a produtividade da URT está em crescimento e, em pouco tempo, poderá amortizar o investimento efetuado”, disse Fabiano Alvim.

Outro objetivo complementar do dia de campo, segundo Eduardo foi a integração dos parceiros e equipe do projeto. Nessa forma de rodízio das visitas nas propriedades, é possível ampliar a percepção de desenvolvimento do projeto de forma coletiva, fortalecer essa visão de grupo e possibilitar que cada um dos produtores possam ver como estão os avanços nas outras propriedades. Ver na prática as soluções encontradas para problemas comuns, é a conversa informal dentro da propriedade.

Olhando para as pastagens ainda verdes nesta época do ano, o pecuarista Aldo disse que está muito satisfeito com os resultados alcançados. “O gado está mais tranquilo, mais saudável e continua ganhando peso em período de seca. Isso graças aos conselhos dos técnicos e aos esforços que fizemos”, disse. Ele explica que a experiência realmente vale a pena, mas que é necessário um investimento sério e muito trabalho.

Os resultados

Em seis meses de implantação da nova tecnologia, ou seja, de janeiro a junho 2013, a taxa de lotação na URT da Fazenda Paraíso teve uma média de 3,22 Unidade Animal (UA) por hectare (ha), com uma produtividade de 10 arrobas por hectare no período de 156 dias. Isso corresponde a uma média de ganho de peso diário de mais de meio quilo por animal, somente a pasto e sal mineral. O resultado é três vezes maior do que a média estadual, que tem uma taxa de lotação de 0,76 UA/ha com uma produtividade de 3,36 arrobas/ha/ano (dados do Instituto Mato-grossense da Economia Agropecuária – Imea).

Já, em outra propriedade parceira do projeto que desenvolve a atividade leiteira, a situação é similar: no mesmo período avaliado foram produzidos na URT do Sítio Santa Luzia 4.151 litros (L) por hectares e uma taxa de lotação média de 3,11 UA/ha, enquanto a média de Mato Grosso é de 1.143 L/ha/ano e a taxa de lotação é de 0,76 UA/ha (dados da Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso – Famato).

Vando explica que a meta estabelecida no projeto é atingir uma produtividade de 20 arrobas por hectare ao ano nas propriedades de corte e 7 mil litros por hectare ao ano nas propriedades de leite.

O Projeto

O projeto Pecuária Integrada de Baixo Carbono tem como objetivo contribuir para desenvolver uma agenda de municípios sustentáveis por meio da implantação de um programa de Boas Práticas Agropecuárias com ênfase em uma economia de baixa emissão de carbono. O projeto é desenvolvido pelo ICV, com apoio do Fundo Vale e da Fundação Moore e tem como parceiros a Embrapa, o Sindicato Rural e a Prefeitura Municipal de Alta Floresta.

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