O Instituto Centro de Vida (ICV) completa 29 anos de fundação nesta terça-feira, 14 de abril, em meio à crise global provocada pela pandemia do coronavírus. Nessas quase três décadas de caminhada em Mato Grosso, é a primeira vez que passaremos a data em um cenário de isolamento social.
Todavia, se o momento atual não permite uma justa confraternização, ele é propício à reflexão. E é justamente isso que buscamos propor nesta carta de aniversário. Em um momento tão complexo, nós podemos oferecer contribuições a partir de nossa experiência?
A resposta, sem dúvida, é sim. O ICV tem como missão institucional a construção de soluções compartilhadas que favoreçam a preservação e o uso sustentável dos nossos recursos naturais.
Desde quando surgiu, em 1991, a entidade fundamentou sua atuação no estabelecimento de espaços de diálogo entre diferentes setores da sociedade. Em vez da divisão, da polarização, buscou sempre o diálogo e estabeleceu compromissos conjuntos.
Foi assim que o ICV fez história ao ajudar o município de Alta Floresta a enfrentar o flagelo das queimadas no início dos anos 2000. Com protocolos conjuntos envolvendo a iniciativa privada e o poder público, a situação (que à época era também uma crise de saúde pública, em razão da fumaça) foi amenizada significativamente.
Nos mesmos moldes, propusemos e colocamos em prática um modelo de pecuária sustentável na Amazônia, estabelecendo um patamar de boas práticas que, anos após a conclusão do projeto, ainda é seguido e valorizado pelo mercado.
Desde 2018, ajudamos a construir e fortalecer uma rede que reúne mais de 600 famílias de agricultores ligados às cadeias de produção de café, castanha, cacau, babaçu, leite, hortaliças.
O trabalho resultou na criação da Rede de Produção Orgânica da Amazônia Mato-grossense (REPOAMA) e no estabelecimento da Rota Local, uma estratégia para aproximar a agricultura familiar do mercado consumidor.
Na esfera das políticas públicas, seguimos colaborando com a implementação da Estratégia PCI (Produzir, Conservar e Incluir). O ICV é membro fundador do Instituto PCI e participa das grandes discussões sobre o futuro socioambiental de Mato Grosso.
Ao mesmo tempo, atua para favorecer a transparência dos dados ambientais, por meio de análises e relatórios que revelam o quadro mais atualizado a respeito de temas como a exploração madeireira e o desmatamento.
Tudo isso sem deixar de olhar atentamente para a condição das populações indígenas e outras comunidades tradicionais, que vivem tempos de ainda maior vulnerabilidade e incerteza.
Nossa atuação, em relação aos direitos socioambientais, busca favorecer as condições para que os povos e populações tradicionais do nosso Estado tenha voz e autonomia.
O que essas ações têm a ver com o momento atual? Tudo! Diante dos desafios impostos pela pandemia, o que mais temos necessidade é de soluções compartilhadas, de acordos entre divergentes e de caminhos alternativos que funcionem para a saúde pública, a economia e o conjunto da sociedade.
Temos procurado dar a nossa contribuição. Um exemplo foi a adoção de um protocolo sanitário que permitiu a retomada com segurança da coleta da produção de hortifruti nas lavouras da agricultura familiar. A medida assegura renda aos produtores e ainda contribui para evitar o desabastecimento na região de Alta Floresta.
Enquanto buscamos nos adaptar a essa realidade difícil, só o que podemos garantir é que seguiremos a trabalhar e a construir esses novos caminhos, como sempre fizemos ao longo desses 29 anos de história. Parabéns ICV! #tamojunto!
RENATO FARIAS é biólogo e diretor executivo do Instituto Centro de Vida (ICV).
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