Daniela Torezzan / ICV
“Por que não conseguimos fazer com que as cidades sejam mais sustentáveis, realmente? Porque falta comprometimento dos governos e das sociedades”. Foi com essa frase que Ivan Costa, do Observatório Social de Belém, abriu a mesa de discussões sobre Cidades Sustentáveis, durante VI Encontro do Fórum Amazônia Sustentável e II Encontro Pan-amazônico do Fórum Amazônia Sustentável e Articulação Regional da Amazônia (ARA), que acontece até dia 7 de Dezembro em Belém.
Costa apresentou o programa Cidades Sustentáveis, do Movimento Nossa São Paulo, e falou sobre sua aplicação nos municípios paraenses. Ele ressalta que a principal característica é a plataforma com eixos que servem para guiar as ações públicas governamentais e que, por isso, permitem também um acompanhamento da sociedade civil.
“A vantagem é sistematizar um conjunto de informações sobre diversos aspectos da cidade de forma transversal e integrada. Quando não se têm indicadores, não se sabe se estamos bem ou mal. E, mesmo que os indicadores não retratem a realidade total, ainda assim é melhor ter indicadores do que não ter nenhum”, ressaltou Ivan Costa.
Justiniano Netto, secretário extraordinário do Programa Municípios Verdes, falou sobre a experiência do Pará, partindo do trabalho emblemático realizado em Paragominas, primeiro município brasileiro a deixar a lista crítica do desmatamento na Amazônia, do Ministério do Meio Ambiente (MMA).
Segundo Netto, até então, os gestores municipais não estavam acostumados a olhar para a gestão municipal sob o aspecto ambiental, principalmente na área rural. “Os prefeitos se preocupavam apenas com as estradas e achavam que isso era cuidar da gestão municipal rural. Foi preciso sofrer sanções econômicas para mudar esse conceito”.
O objetivo do programa no Pará é combater o desmatamento e a degradação florestal com o fortalecimento da produção sustentável, focando os impactos locais. “Não basta combater e reprimir, precisa também estimular novas práticas, pois o desmatamento está ligado a um sistema econômico”, alertou. A meta do programa paraense é reduzir o desmatamento em 80% e ter 80% dos municípios no Cadastro Ambiental Rural (CAR), até 2020.
O olhar Pan-Amazônico sobre a questão foi trazido por Sigrid Vásconez, do grupo Faro, do Equador. Ela apresentou uma pesquisa realizada pela organização que mapeou o contexto das cidades na Amazônia equatoriana. “São cidades que estão em crescente processo de urbanização e, por isso, têm processos muitos complexos de impactos socioambientais”, revelou.
A pesquisa traçou um perfil com diversos indicadores desde a situação econômica, falta de serviços básicos, passando pelo nível de credibilidade de instituições (governos e sociedade), até a forma como as pessoas utilizam o tempo livre. “O que registramos é que a maioria das pessoas percebe o deterioramento do meio ambiente e os riscos para a Amazônia, mas sem articulação não conseguem enfrentar esse desafio, que é enorme”, esclareceu.
Para Sigrid, é preciso desenvolver uma estratégia ampla e de longo prazo para que os municípios possam ser considerados verdes em toda a Amazônia.
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