Mato Grosso perdeu 1.685 quilômetros quadrados de áreas de floresta entre agosto de 2018 e julho de 2019. Os números foram divulgados nesta segunda-feira (18/11) pelo Inpe e têm como base o sistema Prodes, usado para calcular a taxa oficial de desmatamento na Amazônia.
A área desmatada, que é superior à extensão do município de São Paulo, representa um aumento 13% em relação ao levantamento anterior, realizado entre julho de 2017 e agosto de 2018.
Este é o quinto ano seguido que o Estado apresenta uma taxa superior a 1480 km2 – em 2012, o mesmo balanço fechou em 752 km2.
O resultado confirma a tendência de aumento indicada pelos alertas do sistema DETER, também do Inpe, e representa o quinto ano consecutivo em que Mato Grosso registra uma taxa maior que 1.480 quilômetros quadrados.
Atrás apenas do Pará, que concentrou quase 40% das derrubadas no período, Mato Grosso foi responsável por 17% do desmatamento verificado pelo Prodes na Amazônia Legal. “Este cenário demonstra o enorme desafio que é a salvaguarda das nossas áreas de floresta”, avaliou Alice Thuault, diretora adjunta do Instituto Centro de Vida (ICV).
Em 2018, lembrou ela, cerca de 90% do desmatamento nos biomas Amazônia e Cerrado no Estado foi ilegal. Ainda que o enfrentamento desse problema exija diferentes ações e políticas públicas, a fiscalização é um componente central e deve ser reforçada, defende a diretora.
Atualmente, a equipe de fiscalização da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) conta com apenas 17 analistas de meio ambiente. “Esperamos que o novo sistema de monitoramento implementado em MT e o reforço da fiscalização implementado a partir daí possam zerar a ilegalidade”, defendeu.
No âmbito federal, houve redução significativa do número de autos de infração por danos a flora em 2019. Entre janeiro e agosto, o órgão emitiu 299 autos por crimes contra a flora, o que representa uma redução de 36% em relação ao mesmo período do ano anterior.
“Para um estado que consolidou um posicionamento de vanguarda, com uma série de avanços em termos de transparência, monitoramento e gestão ambiental, é urgente conseguirmos reverter essa situação”, concluiu.
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