A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) informou, nesta sexta-feira (16), que o período proibitivo de queimadas em Mato Grosso, que terminaria nesta semana, será prorrogado até o dia 04 de outubro em função das condições climáticas, como falta de chuva e baixa umidade relativa do ar. Um novo decreto será publicado nos próximos dias, prevendo, ainda, a possibilidade de uma nova prorrogação até o final de outubro.
Apesar da proibição legal, os focos de calor aumentaram cerca de 42% este ano, se comparado com o ano passado, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Entre 1º de janeiro e 15 de setembro deste ano, foram registrados 23,4 mil focos de calor, contra 16,5 mil do mesmo período em 2015. Desse total, a grande maioria, 15,5 mil focos, foi registrada no período em que as queimadas estavam proibidas (15 de julho a 15 de setembro), ou seja, foram praticadas de maneira ilegal. No período proibitivo a Sema-MT não emite autorizações para queimadas controladas e a prática é considerada crime ambiental, com pena que varia de pagamento de multa até prisão.
O município que lidera o ranking de queimadas em Mato Grosso é Colniza, com 1.747 focos de calor registrados. O município é emblemático, pois também lidera o ranking de desmatamento no estado, sendo responsável pela derrubada de 183 quilômetros quadrados de floresta amazônica ocorrida entre julho de 2015 e agosto de 2016, segundo o Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD), do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). O município está distante cerca de mil quilômetros da capital, Cuiabá, na região noroeste de Mato Grosso, onde fica um grande maciço florestal, ameaçado pela expansão da fronteira agropecuária.
Em Mato Grosso, o fogo ainda é usado em áreas rurais para a chamada ‘limpeza’, quando a área desmatada ou a floresta degradada, principalmente, pela exploração madeireira, é queimada para ser utilizada no cultivo agrícola ou atividade pecuária.
Para o Instituto Centro de Vida (ICV), a situação demonstra uma necessidade urgente na implementação de políticas governamentais de fiscalização e também de incentivo à adoção de tecnologias de produção sustentáveis, como a pecuária sem desmatamento, por exemplo.
Segundo o governo do estado, o total de investimento em ações de combate ao fogo, este ano, pode chegar a R$ 4 milhões, por meio de uma estrutura de atendimento descentralizada, em parceria com governos municipais, órgãos estaduais e federais.
A população pode denunciar queimadas nas áreas rurais pelo telefone 0800 647 7363.
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