
Discussão sobre a soja parte de um olhar da paisagem, propondo corredores ecológicos. Foto: Raíssa Genro/ICV
Raíssa Genro/ICV
Discutir o desenvolvimento da região norte de Mato Grosso envolvendo questões sociais, culturais, econômicas e ambientais com um olhar para que os produtos locais levem em conta estes diversos aspectos. Nesse contexto se insere a produção de soja responsável, assunto abordado em uma reunião organizada pelo Instituto Centro de Vida (ICV) na última terça-feira (26) com produtores rurais de Alta Floresta e Paranaíta.
No encontro, na sede do Sindicato Rural de Alta Floresta, foi apresentada uma proposta que amplia o trabalho do ICV na busca pelo desenvolvimento de cadeias produtivas sustentáveis, já experimentado com a pecuária, através do Programa Novo Campo. Cadeia produtiva é o conjunto de atividades que reúnem progressivamente desde a obtenção da matéria-prima até o produto final, passando pela produção até o consumo. Articular este processo para reduzir os impactos sociais e ambientais objetiva tornar a cadeia produtiva sustentável.
Segundo projeções do Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária) a produção de soja deve crescer de 600 mil para 2,46 milhões de toneladas até 2025, passando de 12 para 48 mil hectares, o que torna ainda mais importante a discussão sobre os seus impactos. Valdemar Gamba, proprietário da Fazenda Veridiana em Alta Floresta, esteve na reunião e destacou a importância da atuação responsável em todas as cadeias produtivas que as fazendas da região participam.
A proposta é trabalhar com um piloto em fazendas dos municípios de Carlinda, Alta Floresta e Paranaíta, com a recuperação de áreas de preservação permanente (App) e o cadastro ambiental rural. A adequação ambiental parte de um olhar da paisagem, propondo corredores ecológicos, que são áreas que ligam fragmentos florestais para formação de mosaicos e favorecem a biodiversidade. Em paralelo será construído um guia com indicadores sociais, ambientais e econômicos, com apontamento de dificuldades para produção de soja responsável, diagnóstico de boas práticas, financiamentos e tecnologias necessárias para sua expansão. “A proposta vai além do cumprimento legal, partindo de uma abordagem territorial de como a soja influencia questões sociais, culturais e outras produções”, esclarece Francisco Beduschi Neto, gestor de projetos da iniciativa de Incentivos Econômicos do ICV.
Segundo os produtores, a região tem um diferencial para o desenvolvimento da proposta, pois a produção de soja está consorciada com a pecuária, permitindo também a integração de duas cadeias e a diversificação de culturas, o que é benéfico em vários aspectos. “Esse projeto vai permitir que nossa região possa ser certificada como produtora de soja responsável”, defendeu Celso Bevilaqua, presidente do Sindicato Rural.
Para Irene Duarte, coordenadora da Iniciativa de Municípios Sustentáveis essa é uma etapa importante do trabalho do ICV, pois é o convite para mais um ator discutir o desenvolvimento da região. “Já trabalhamos com gestores públicos, agricultores familiares e pecuaristas. Agora, estamos iniciando um diálogo com os produtores de soja, sempre com esse olhar para a integração das cadeias produtivas e o desenvolvimento sustentável do território”, reforçou.
O ICV participa de discussões sobre soja desde 2005, compondo a RTRS, a Mesa da Soja Responsável, onde coordenou um comitê para discussão de princípios e critérios para a produção de soja com respeito as questões ambientais e sociais e há 10 anos foi o autor do primeiro mapa publicado no Brasil sobre áreas de alto valor para conservação no cerrado relacionado a produção de soja.
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