Andrés Pasquis / ICV
No final de julho, moradores da Aldeia Babaçu, da etnia Rikbaktsa, localizada em Cotriguaçu, viajaram para Rondônia numa atividade de intercâmbio para compartilhar experiências sobre a construção dos planos de gestão territorial e alternativas de geração de renda com trabalhos com seringa e castanha. Durante três dias, eles trocaram informações com as etnias Zoró e Suruí, situadas na fronteira entre Mato Grosso e Rondônia. A atividade foi realizada pelo Instituto Centro de Vida (ICV) e Equipe de Conservação da Amazônia (Ecam), com apoio de outras associações indigenistas, como a Associação Indígena Rikbaktsa (Asirik ), Associação Metareilá do Povo Indígena Suruí e a Associação do Povo Indígena Zoró (Apiz).
No dia 21 de julho, no município de Cacoal – RO, foi realizada uma reunião entre as lideranças das diferentes etnias e representantes das organizações participantes, incluindo Maria Kossmann, do Fundo Vale, parceiro do projeto que apoia esse iniciativa. Nesse primeiro momento foram abordados aspectos mais estruturais das etnias, como a organização das diferentes associações, o acesso a financiamentos, e o Plano de Gestão Ambiental e Territorial, entre outros.
Os membros da Aldeia Babaçu tiveram a oportunidade de conhecer outras experiências na aplicação do Plano de Gestão, já que a etnia Suruí, com o apoio da Ecam, tem implementado o chamado Plano de 50 Anos, que orientará as ações prioritárias e práticas cotidianas para a próxima metade de século. Foi abordada também a questão dos financiamentos para geração de renda através da procura de parceiros.
Neste sentido, a etnia Zoró compartilhou informações sobre a Apiz, que conta com uma estrutura organizada de políticas, departamentos, instâncias e até medidas anticorrupção, o que gera confiança de outras entidades, como a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Essa credibilidade possibilita ter uma melhor relação comercial, principalmente na questão de prazos e produtos comercializados.
No segundo dia do intercâmbio foi realizada visita a uma aldeia-escola Zoró em Rondolândia – MT, que oferece o ensino fundamental e médio às crianças da etnia. Foi a oportunidade de trocar produtos, visões e manifestações culturais diferentes, causando a curiosidade e emoção dos participantes.
No último dia foi abordada a questão da extração, coleta e comercialização de castanha e seringa. A discussão abriu igualmente a possibilidade, no futuro, da criação de uma aliança entre as etnias para a comercialização da castanha, já que existe uma demanda importante do produto.
Rodrigo Marcelino, analista socioambiental do ICV, explica que o intercâmbio foi rico e produtivo, e que novas expectativas surgiram. “Esse tipo de experiência é importante, pois permite uma visão que vai além do território Rikbaktsa, cheia de possibilidades”, diz o analista. Ele ressaltou também a importância de um diálogo intersetorial, entre instituições públicas, privadas e da sociedade. A expectativa é de que o Plano de Gestão Territorial que está em elaboração na Aldeia Babaçu possa ser integrado ao Plano de Gestão Municipal de Cotriguaçu.
O Projeto
O projeto Cotriguaçu Sempre Verde visa contribuir para a construção de uma nova trajetória de desenvolvimento socioambiental e econômico para esse município. Desenvolve iniciativas que aliam o apoio a gestão ambiental municipal, o bom manejo florestal (Prodemflor), as boas práticas agropecuárias, o apoio à governança social e ambiental nos assentamentos e a integração das áreas protegidas. O projeto é desenvolvido pelo Instituto Centro de Vida (ICV) e parceiros com apoio do Fundo Vale.
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