Agricultores e agricultoras familiares da Rede de Produção Orgânica da Amazônia Mato-grossense (Repoama) passaram nos últimos meses por uma nova etapa de avaliação da conformidade orgânica. As visitas técnicas identificaram que 31 famílias da região norte de Mato Grosso estão aptas para comercializar sua produção com o selo.
Os documentos têm validade de 1 ano e foram entregues na última semana, durante assembleia da rede. A Repoama é um Sistema Participativo de Garantia (SPG) credenciado no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Isso permite que a rede tenha autonomia para certificar agricultores e agricultoras que produzam sem agrotóxicos.
Conforme a técnica socioambiental do Instituto Centro de Vida (ICV), Kauany França de Souza, foram realizadas visitas de pares e visitas da comissão de ética nas propriedades de famílias de Alta Floresta, Paranaíta, Carlinda, Nova Monte Verde, Nova Bandeirantes e Colniza.
“A gente fez um período de atualização documental, de acordo com a legislação que o Mapa pede, e fez visitas de olhar externo para verificar se essas pessoas estão realmente aptas ou não a receber a certificação”, explicou.
A agricultora familiar Antônia Soares de Brito, de Carlinda (MT), foi uma das agricultoras que receberam o documento. Ela trabalha no ramo da fruticultura e tem uma horta.
“Eu espero ampliar ainda mais a minha produção, agregar valor para os produtos e entrar no mercado de comercialização de orgânicos. A gente almeja que o nosso produto seja valorizado e é satisfatório saber que o alimento que a gente produz é saudável, tanto para minha família quanto para as pessoas que irão recebê-lo”.
Extrativismo
Para além da certificação das famílias que trabalham com produtos vegetais in natura, a Repoama foi autorizada pelo Mapa a também certificar agricultores e agricultoras que trabalham com o extrativismo.
A necessidade surgiu após a inserção dos indígenas do povo Rikbaktsa na rede. Eles têm a castanha-do-brasil como principal fonte de renda e, com a certificação orgânica, conseguem agregar valor na venda da oleaginosa.
A indígena Janice Tsari Rikbaktatsa explicou que esse novo momento da Repoama traz segurança para os coletores e coletoras de castanha da sua comunidade, que irão trabalhar com a certeza de que o produto será valorizado.
“A castanha é o ponto forte no nosso território. Antes a gente vendia por um preço muito baixo, mas a gente nunca deixou de sonhar que um dia a gente poderia alcançar um preço melhor. Então a gente nunca desistiu, e estamos sempre correndo atrás de conseguir mais e mais coisas para o nosso povo”.
Agora, o grupo deve passar pelas visitas técnicas para avaliação de conformidade orgânica para receber o documento que permite a comercialização com o selo.
Financiamento
A assembleia foi realizada com recursos do Projeto Amazônia Viva Alimenta (AVA), executado pelo ICV em parceria com a Cooperação de Apoio a Projetos de Inspiração Alternativa (CAPINA) e a Fundação Luterana de Diaconia (FLD). O financiamento é da União Europeia.
Ainda, contou com o suporte dos Estados Unidos da América por meio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID). Esse conteúdo é de responsabilidade do ICV e não necessariamente reflete os posicionamentos da USAID ou do governo dos Estados Unidos.
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