24 jan 2011
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Plantio mecanizado de florestas: Modo de fazer

Autor: Assessoria de comunicação

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– Thiago Foresti / Estação VidaRecuperar áreas degradadas, esse é um dos grandes desafios diante do quadro de mudanças climáticas e de adequação ambiental das propriedade rurais. Apesar de não ser um trabalho simples – recuperar é sempre mais trabalhoso do que destruir – quem põe a mão na massa garante: vale a pena.

Armin Beh, educador de práticas sustentáveis do Instituto Centro de Vida (ICV), explica o passo a passo do plantio mecanizado realizado em parceria com a Prefeitura de Alta Floresta, em propriedades rurais no município com o apoio da Agência Americana para o Desenvolvimento (USAID – sigla em inglês) no âmbito do projeto governança ambiental e produção responsável.

Técnicas

Para começar, o plantio deve ser feito em linhas com uma plantadeira ou ao lanço com uma distribuidora de calcário. No caso do plantio feito pela equipe de Armin em Alta Floresta a opção foi pela distribuidora de calcário. A responsabilidade do plantio foi dividida entre o produtor, o ICV e a Prefeitura.

Ao produtor coube preparar a terra, cercar e gradear, e disponibilizar o trator para o plantio, enquanto as outras partes se encarregam da assistência técnica, dos insumos e da operação do maquinário. Armin relata que “Uma distribuidora de calcário agiliza o trabalho, especialmente quando se planta em propriedades diferentes. Para quem tem um prazo a cumprir e quer plantar o mais rápido possível, uma aquisição como essa é oportuna”, nesse caso a aquisição foi feita pela prefeitura de Alta Floresta que tem um programa municipal de unidades demonstrativas de áreas recuperadas.

Sementes

O segredo do sucesso do plantio mecanizado de florestas é ter uma boa diversidade de sementes: diversidade de espécies e diversidade entre os três grupos de sucessão (pioneiras, secundárias e clímax). Em média por hectare, foram usados 35 kg de sementes de árvores nativas, distribuídas em 45 espécies diferentes além de sementes de adubação verde como feijão de porco e feijão guandu. Para conseguir essa quantia a equipe de Armin recorreu a um amplo grupo de coletores da rede de sementes do Xingu – na safra 2010/2011 mais de 50 coletores conseguiram juntar um montante superior a três toneladas de sementes de árvores nativas nas florestas ao redor da BR 163.

Outro ponto importante é a germinação. Existem espécies cujas sementes possuem um tipo de dormência que só permite a germinação quando há suficiente umidade no ambiente. Para acelerar o processo é necessário quebrar a dormência. Uma das técnicas utilizadas é a quebra de dormência por choque térmico, que consiste em alternar água quente e água fria.

Depois, para garantir uma distribuição homogênea de todas as sementes usadas, é indispensável misturá-las bem antes de colocá-las na máquina. A adição da serragem seca à muvuca (nome dado a essa mistura) evita que as sementes mais finas desçam e saiam primeiro durante a vibração da máquina.

O plantio com a lançadeira requer um bom preparo do solo para aperfeiçoar as condições de germinação das sementes. É importante passar várias vezes com a grade no mesmo lugar, principalmente nas regiões com terreno declinado e sem curvas de nível, pois depois da gradagem o solo fica suscetível à erosão. Para evitar a lavagem do solo pelas águas pluviais é conveniente deixar algumas faixas com capim para frear as águas da chuva, evitando assim a erosão.

A distribuição de sementes com uma semeadeira centrifuga dará sempre uma concentração maior no centro e menor nas extremidades laterais, conforme o peso das sementes. Para obter um padrão uniforme de distribuição é preciso compensar as laterais repetindo perto da linha do plantio anterior. Exemplo: Se a semeadeira distribui 14 metros, ou seja, 7 metros para cada lado, deve-se repassar 3 metros (7m – 3m = 4m) o que significa passar com o trator 4 metros depois dos últimos grãos da faixa anterior.

Armin relata que após duas semanas do primeiro plantio já nasceram as primeiras mudas: feijão de porco, feijão guandu, mas também algumas espécies das árvores nativas como Pinho cuiabano (Schizolobium amazonicum), Orelha de macaco (Enterolobium schomburgkii) e Angelim saia (Parkia pendula). O comparativo de custos de restauração pode ser verificado na tabela abaixo:

degradada muito degradada²
cerca convencional (valor por metro) R$ 5,80 R$ 5,80
cerca életrica (valor por metro)¹ R$ 3,10 R$ 3,10
restauro com sementes (valor por hectare) R$ 1.103,50 R$ 1.253,50
restauro com mudas (valor por hectare) R$ 4.611,68 R$ 4.928,22
restauro com mudas (valor por muda) R$ 2,77 R$ 2,96
restauro com sementes e enriquecido com mudas (valor por hectare) R$ 1.385,00 R$ 2.733,50
¹valor calculado para 1000 metros de extensão portanto variável conforme do tamanho da cerca
²considerando um solo fraco que necessita adubo orgânico

Leia mais:

Na Folha Portal desse mês trazemos uma matéria sobre Recuperação de Áreas Degradadas. Lá você pode conferir também dicas para fazer Um Sistema Agroflorestal (SAF) na sua propriedade.

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