Armin Beh, educador de práticas sustentáveis do Instituto Centro de Vida (ICV), explica o passo a passo do plantio mecanizado realizado em parceria com a Prefeitura de Alta Floresta, em propriedades rurais no município com o apoio da Agência Americana para o Desenvolvimento (USAID – sigla em inglês) no âmbito do projeto governança ambiental e produção responsável.
Técnicas
Para começar, o plantio deve ser feito em linhas com uma plantadeira ou ao lanço com uma distribuidora de calcário. No caso do plantio feito pela equipe de Armin em Alta Floresta a opção foi pela distribuidora de calcário. A responsabilidade do plantio foi dividida entre o produtor, o ICV e a Prefeitura.
Ao produtor coube preparar a terra, cercar e gradear, e disponibilizar o trator para o plantio, enquanto as outras partes se encarregam da assistência técnica, dos insumos e da operação do maquinário. Armin relata que “Uma distribuidora de calcário agiliza o trabalho, especialmente quando se planta em propriedades diferentes. Para quem tem um prazo a cumprir e quer plantar o mais rápido possível, uma aquisição como essa é oportuna”, nesse caso a aquisição foi feita pela prefeitura de Alta Floresta que tem um programa municipal de unidades demonstrativas de áreas recuperadas.
Sementes
O segredo do sucesso do plantio mecanizado de florestas é ter uma boa diversidade de sementes: diversidade de espécies e diversidade entre os três grupos de sucessão (pioneiras, secundárias e clímax). Em média por hectare, foram usados 35 kg de sementes de árvores nativas, distribuídas em 45 espécies diferentes além de sementes de adubação verde como feijão de porco e feijão guandu. Para conseguir essa quantia a equipe de Armin recorreu a um amplo grupo de coletores da rede de sementes do Xingu – na safra 2010/2011 mais de 50 coletores conseguiram juntar um montante superior a três toneladas de sementes de árvores nativas nas florestas ao redor da BR 163.
Outro ponto importante é a germinação. Existem espécies cujas sementes possuem um tipo de dormência que só permite a germinação quando há suficiente umidade no ambiente. Para acelerar o processo é necessário quebrar a dormência. Uma das técnicas utilizadas é a quebra de dormência por choque térmico, que consiste em alternar água quente e água fria.
Depois, para garantir uma distribuição homogênea de todas as sementes usadas, é indispensável misturá-las bem antes de colocá-las na máquina. A adição da serragem seca à muvuca (nome dado a essa mistura) evita que as sementes mais finas desçam e saiam primeiro durante a vibração da máquina.
O plantio com a lançadeira requer um bom preparo do solo para aperfeiçoar as condições de germinação das sementes. É importante passar várias vezes com a grade no mesmo lugar, principalmente nas regiões com terreno declinado e sem curvas de nível, pois depois da gradagem o solo fica suscetível à erosão. Para evitar a lavagem do solo pelas águas pluviais é conveniente deixar algumas faixas com capim para frear as águas da chuva, evitando assim a erosão.
A distribuição de sementes com uma semeadeira centrifuga dará sempre uma concentração maior no centro e menor nas extremidades laterais, conforme o peso das sementes. Para obter um padrão uniforme de distribuição é preciso compensar as laterais repetindo perto da linha do plantio anterior. Exemplo: Se a semeadeira distribui 14 metros, ou seja, 7 metros para cada lado, deve-se repassar 3 metros (7m – 3m = 4m) o que significa passar com o trator 4 metros depois dos últimos grãos da faixa anterior.
Armin relata que após duas semanas do primeiro plantio já nasceram as primeiras mudas: feijão de porco, feijão guandu, mas também algumas espécies das árvores nativas como Pinho cuiabano (Schizolobium amazonicum), Orelha de macaco (Enterolobium schomburgkii) e Angelim saia (Parkia pendula). O comparativo de custos de restauração pode ser verificado na tabela abaixo:
| degradada | muito degradada² | |
| cerca convencional (valor por metro) | R$ 5,80 | R$ 5,80 |
| cerca életrica (valor por metro)¹ | R$ 3,10 | R$ 3,10 |
| restauro com sementes (valor por hectare) | R$ 1.103,50 | R$ 1.253,50 |
| restauro com mudas (valor por hectare) | R$ 4.611,68 | R$ 4.928,22 |
| restauro com mudas (valor por muda) | R$ 2,77 | R$ 2,96 |
| restauro com sementes e enriquecido com mudas (valor por hectare) | R$ 1.385,00 | R$ 2.733,50 |
| ¹valor calculado para 1000 metros de extensão portanto variável conforme do tamanho da cerca |
| ²considerando um solo fraco que necessita adubo orgânico |
Leia mais:
Na Folha Portal desse mês trazemos uma matéria sobre Recuperação de Áreas Degradadas. Lá você pode conferir também dicas para fazer Um Sistema Agroflorestal (SAF) na sua propriedade.
Mato Grosso respondeu por mais da metade dos focos de calor registrados na Amazônia no primeiro semestre de 2023. Ao todo, o estado contabilizou 4.569 focos, o equivalente a 55% do total. Os dados foram...
ver maisO Instituto Centro de Vida (ICV) abriu edital para a contratação de consultoria e prestação de serviço especializado de facilitação gráfica para o 3º e 4º módulo e seminário integrador do curso de Aperfeiçoamento em...
ver maisEstudo divulgado, nesta quinta-feira (21), revela que a transparência de dados para ações de combate a crimes ambientais no Brasil ainda é insuficiente. A análise de 41 bases de dados geridas por órgãos públicos, nos...
ver maisRua Estevão de Mendonça, 1770, Quilombo
Cuiabá – MT – Brasil
CEP: 78043-580
+55 (65) 3621-3148
Av. Ariosto da Riva, 3473, Centro
Alta Floresta – MT – Brasil
CEP: 78580-000
+55 (66) 3521-2844
Fique por dentro dos nossos conteúdos exclusivos para você.
© 2020 - Conteúdo sob licenciamento Creative Commons Atribuição 2.5 Brasil ICV - Instituto Centro de Vida | Política de Privacidade
Concepção e Design: Matiz Caboclo | Manutenção e atualização: Kasterweb