– Daniela Torezzan / ICV
Após sair da lista crítica dos desmatadores na Amazônia, município quer desenvolver economia sustentável
Mais de 500 pessoas participaram do primeiro dia do Seminário Estratégias e Projetos para um Município Verde na Amazônia, realizado em Alta Floresta, região norte de Mato Grosso. Entre os interessados em compartilhar informações a respeito do tema estavam representantes de órgãos públicos municipais, estaduais e federais, produtores rurais, estudantes e sociedade civil em geral.
Durante a abertura do evento, a prefeita Maria Izaura fez um resgate sobre a história do município, suas fases de desenvolvimento e dificuldades, ressaltando, ao final, que este é um momento marcante para Alta Floresta, pois representa o início de uma nova trajetória de desenvolvimento pautada em ações sustentáveis. “Foi um longo caminho até entendermos que não dava para fugir da legalização ambiental. E não estávamos longe disso porque queríamos, mas porque não tínhamos como fazer diferente. Hoje, graças a todos vocês, parceiros que acreditaram e colaboram conosco, Alta Floresta vive um momento de comemoração: deixamos de ser vistos como vilões do desmatamento na Amazônia e estamos inaugurando um modelo de desenvolvimento sustentável”, disse a prefeita.
Durante o dia aconteceram diversas palestras como a de Cláudia Costa, chefe do departamento de gestão do Fundo Amazônia, que falou sobre estratégias de acesso a recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e também apresentações de projetos como o sementes Portal da Amazônia, feita por Alexandre Olival, do Instituto Ouro Verde (IOV). Aliás, vale ressaltar a maciça participação dos integrantes desta rede, que se deslocaram de diversos municípios da região especialmente para o evento.
Irene Duarte, professora e técnica da Secretaria de Meio Ambiente de Alta Floresta, falou sobre o projeto Olhos D´Água da Amazônia, no âmbito do qual foram desenvolvidas as ações para o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e de recuperação de nascentes. Irene, que foi secretária de Meio Ambiente durante o período em que as ações estavam sendo desenvolvidas, emocionou os participantes ao dizer que todos podiam “bater no peito e dizer: eu contribuí para Alta Floresta sair da lista”, numa referência a lista de municípios críticos do desmatamento da Amazônia, do Ministério do Meio Ambiente, cujo principal critério para a exclusão é ter 80% das propriedades no CAR. Ela apresentou dados sobre a quantidade de CARs elaborados e os custos que foram poupados pelos proprietários rurais ao aderirem a iniciativa. “Para fazer um georreferenciamento o custo é de R$ 5 mil e para o projeto do CAR mais R$ 2 mil. Aderindo a iniciativa, esse total ficou em R$ 600. Por isso, os proprietários só conseguiram fazer o CAR porque contaram com o apoio do projeto e seus parceiros, pois de outra forma, seria impossível”, demonstrou.
As informações foram confirmadas logo na sequência com o depoimento de alguns proprietários rurais. Entre eles, Aparecido Laroca, que agradeceu a oportunidade de poder começar o processo de legalização ambiental da propriedade. “Se não fosse a coragem desse pessoal, nós ainda estaríamos aparecendo como ‘fora da lei’. Hoje, estamos aqui de cabeça erguida, mostrando que podemos produzir e conservar”, disse.
O dia terminou com a entrega dos certificados do CAR para os proprietários rurais.
Nesta sexta-feira (04), no período da manhã, acontecem visitas a campo em unidades demonstrativas do projeto Olhos D’Água da Amazônia que estão executando ações de recuperação de nascentes. À tarde será lançado o Projeto Pecuária Integrada de Baixo Carbono e, à noite acontece, a assinatura do Pacto de Município Verde.
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