16 nov 2011
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Países da Amazônia vão integrar ações de proteção à floresta

Autor: Assessoria de comunicação

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– Daniela Torezzan e Jaime Gesisky / Especial de Belém

Cerca de 400 pessoas participam em Belém do evento Cenários e Perspectivas da Pan-Amazônia, realizado pelo Fórum Amazônia Sustentável e Articulação Regional da Amazônia (ARA). O debate é o primeiro esforço da sociedade civil dos países amazônicos na busca de enfrentar os desafios e identificar as oportunidades comuns na região.

Em suas áreas florestais, esses países abrigam cerca de 34 milhões de pessoas, mais da metade situada abaixo da linha de pobreza, apesar dos vastos recursos naturais que a floresta oferece. Mesmo sendo um grande potencial econômico, a floresta nos países pan-amazônicos já soma cerca de 1 milhão de quilômetros quadrados de desmatamento.

A reversão desse quadro, segundo a avaliação dos participantes do evento, inclui formas sustentáveis de explorar os recursos da floresta e a valorização dos que, vivendo no interior da Amazônia, ajudam a manter de pé uma floresta que é crucial para o equilíbrio climático do planeta. No entanto, qualquer perspectiva de desenvolvimento deve considerar ainda o envolvimento de mecanismos de mercado e da iniciativa empresarial.

Para Adalberto Versíssimo, pesquisador do Imazon – palestrante no primeiro dia de debates do evento em Belém – os países pan-amazônicos deverão se orientar a partir de agora pelas práticas colaborativas capazes de transpor fronteiras. E dá exemplos bastante concretos. “De nada adianta cuidarmos do rio Amazonas ou do rio Negro do lado de cá, no Brasil, se as nascentes desses rios, localizadas em países vizinhos, não tiverem o mínimo de proteção”, apontou. A regulamentação protetiva da floresta, disse ele, precisa ser integrada.

PIB amazônico

De acordo com o pesquisador, o Produto Interno Bruto (PIB) dos nove países com floresta amazônica somaram 330 bilhões de dólares, só nesta década. Apenas no Brasil, os investimentos em infraestrutura previstos para a próxima década, superam os 500 bilhões de dólares. “Esse processo, sem precedentes, pode levar a um novo panorama de desmatamento, muito mais agressivo. O monitoramento do desmatamento, que já é uma realidade possível, representa esse empoderamento da sociedade”, disse.

Veríssimo classificou em três os principais eixos de investimentos para garantir o desenvolvimento da Amazônia: conhecimento e tecnologia, gestão pública, e produção com baixa emissão de carbono. “Esse desenvolvimento não poderá ser feito com pouco dinheiro, sem vontade política e sem o envolvimento das populações e redes pan-amazônicas”, finalizou.

Tecnologia

Uma das formas de integração apresentadas durante o debate vem do campo da tecnologia. A Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georrefernciada (RAISG, na silga em espanhol), formada por onze instituições que atuam na Amazônia.

Nas próximas semanas, a organização deverá divulgar os primeiros mapas com dados da pan-amazônia com as pressões atuais, as futuras e as potenciais como a exploração de gás e óleo, hidroeletricidade, transporte, uso do fogo e desmatamento para as áreas protegidas da região.

“Estamos avançando na integração regional por meio desses instrumentos tecnológicos que deverão gerar um debate além das fronteiras de cada país”, disse Beto Ricardo, do Instituto Socioambiental – um dos articuladores da RAISG.

Ricardo destacou ainda a importância da inserção dos indígenas no processo com a divulgação dos trabalhos. “Havia uma ideia de que a Amazônia era um grande espaço vazio sem população suficiente para ocupá-la”, disse. Além disso, segundo ele, a RAISG tronou muito mais evidente as pressões e ameaças do bioma, principalmente o desmatamento. “A floresta amazônica corre o risco de ser a floresta tropical mais descontínua do planeta”.

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