Há dois anos, o governador de Mato Grosso, Pedro Taques, se comprometeu na COP21, em Paris, a eliminar o desmatamento ilegal até 2020. Mas a meta ainda está longe de ser cumprida. Nos últimos 12 meses, 1.193 km² de floresta foram eliminadas sem autorização da Secretaria Estadual do Meio Ambiente de Mato Grosso – 89% do total. O resultado é levemente melhor que em 2016, quando a ilegalidade foi de 95%.
O desmatamento legal, 145 km² de vegetação nativa, também alerta para a baixa capacidade de cumprimento das metas voluntárias de combate às mudanças climáticas, já que o governo de Mato Grosso se comprometeu a manter o desmatamento abaixo de 571 km² até 2030.
Fronteiras ativas
A concentração de áreas desmatadas em determinadas regiões do estado demonstra a existência de fronteiras ativas de desmatamento, principalmente no Noroeste do estado. Colniza foi o campeão da temporada, com 174,7 km² de desmatamento, a maioria em áreas com categoria fundiária não identificada. Aripuanã, também na região noroeste, desmatou 92 km². Uma das recomendações do ICV para conter esta tendência é a implantação de um Centro de Operações Ambientais no Noroeste, visando intensificar as ações de fiscalização na região.
O tamanho das áreas desmatadas também tem aumentado. Mais da metade dos casos no último ano foram áreas contínuas maiores que 50 hectares, e 47,5% de tudo que se desmatou foi em imóveis rurais privados. Parte significativa do desmatamento em áreas superiores 100 hectares. Os projetos de assentamentos da reforma agrária, por sua vez, respondem por 15,4% da área desmatada, o que significa uma redução de 20% em relação a proporção do ano anterior.
Desde de 2012, o estado mantém um patamar acima de 1.000 km² de desmatamento por ano. Mato Grosso é o segundo estado que mais desmata a Amazônia no país, ficando atrás unicamente do estado do Pará.
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