– Daniela Torezzan / Estação Vida
| Município | Focos |
| Peixoto de Azevedo | 391 |
| Campinápolis | 368 |
| Paranatinga | 333 |
| Comodoro | 304 |
| Cocalinho | 234 |
| Tangará da Serra | 234 |
| Canarana | 230 |
| Colniza | 223 |
| Barra do Garças | 220 |
| Matupá | 205 |
| Subtotal 10 municípios críticos | 2.742 |
Fonte: INPE (Modis Terra & Acqua TM), Análise ICV
A maior parte do total de focos (59%) dos meses de julho e início de agosto ocorreu em propriedades rurais, sendo 13% em áreas cadastradas no Sistema Integrado de Monitoramento e Licenciamento Ambiental (SIMLAM) e 46% em propriedades não cadastradas. Também chama a atenção a concentração de focos em algumas Terras Indígenas (TI), que registraram 2.289 focos no período, o que corresponde a 25% do total. Entre elas, as que mais queimaram foram a Pimentel Barbosa, com 352, Parabubure, 349, Xingu, 216, e Paresi, com 157 focos registrados no período. Já em assentamentos rurais foram registrados 1.325 focos (15% do total). Veja tabela baixo.
| Área de ocorrência | 01 a 31/07/10 | 01 a 10/08/10 | Total | Percentual |
| Áreas cadastradas no SIMLAM | 841 | 331 | 1172 | 13% |
| Áreas não cadastradas | 2314 | 1743 | 4057 | 46% |
| Assentamentos | 691 | 634 | 1325 | 15% |
| Terras Indígenas | 1307 | 982 | 2289 | 25% |
| Unidades de Conservação | 20 | 46 | 66 | 1% |
| TOTAL | 5173 | 3736 | 8909 | 100% |
Fonte: INPE (Modis Terra & Acqua TM), Análise ICV
Para Laurent Micol, coordenador executivo do Instituto Centro de Vida (ICV) a situação se agravou este ano principalmente pelas condições climáticas, com o tempo mais seco. Para ele, esse fato colocou o estado numa condição de fragilidade agravando situações que normalmente seriam mais facilmente controladas. “A situação do fogo esse ano é resultado de uma condição climática, que se repete a intervalos mais ou menos regulares. O que está acontecendo nos mostra que ainda não estamos preparados para lidar com uma seca mais acentuada”, avaliou.
Contudo, Micol também pondera que é preciso intensificar a fiscalização e a responsabilização de quem coloca fogo no período proibido, embora reconheça as dificuldades operacionais para isso, como a localização da origem do incêndio. De acordo com ele, em 2008 foi proposta a criação de um grupo de peritos para ajudar nesse trabalho, o que não aconteceu.
O coordenador do ICV ressalta que o fator principal que pode ter efeito imediato nesta situação crítica vivenciada por Mato Grosso é a conscientização da população. “Só se pode conter a incidência de fogo no estado com o empenho da população, respeitando o período de seca em que é proibida esta prática”, reforçou. “Ao governo cabe aumentar as campanhas informativas e ter uma estratégia eficiente colocando o aparato necessário para o controle nas áreas de maior risco”.
De acordo com Laurent Micol, fica difícil fazer uma avaliação mais detalhada da ação governamental já que a comissão de acompanhamento do Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas do Estado do Mato Grosso, que prevê a participação da sociedade, até hoje não foi implementada. “A sociedade precisa ser parte do acompanhamento e das soluções”, reforça.
Micol analisa que além dos impactos locais, como perdas econômicas e problemas de saúde, o fogo em Mato Grosso gera prejuízos ambientais em escala global, com a emissão de gás carbônico (CO2). “Isso compromete o esforço de reduzir a emissão de gases do efeito estufa através do combate ao desmatamento”, exemplifica. “Nessa situação, o estado volta a contribuir fortemente no agravo das mudanças climáticas”, conclui.
Este ano, em Mato Grosso, o período que proíbe as queimadas foi decretado entre 9 de julho e 15 de setembro.
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