A regularização fundiária, a agroecologia, a justiça socioambiental e participação nas políticas públicas são algumas das principais bandeiras que um grupo de mulheres do município de Cotriguaçu, no noroeste mato-grossense, está levando para a 5ª Marcha das Margaridas, organizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), que acontece nos próximos dias 11 e 12, em Brasília, e espera reunir mais de 70 mil pessoas. Para participar desta mobilização, que envolve pessoas de todos os cantos do Brasil, elas terão de viajar por 72 horas de ônibus (ida e volta).
O esforço vale a pena, segundo Roseli dos Santos Oliveira, secretária de Mulheres e Políticas Sociais do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Cotriguaçu (STTR), que participou da edição passada, em 2011. “Nesta edição, o combate à violência contra a mulher ainda é um tema marcante. Essa situação pode se dar de diferentes formas, tanto verbal como fisicamente e muitas mulheres ainda não se dão conta disso”, constata.
Segundo ela, as conquistas são lentas e gradativas. “Recentemente começou a funcionar duas unidades do ônibus lilás, da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) de Mato Grosso, contra a violência às mulheres no campo e floresta. Essa foi uma reivindicação da 4º Marcha”, esclarece. Os veículos itinerantes prestam atendimento com equipe formada por assistentes sociais, educadores, psicólogos e palestrantes, que orientam tanto mulheres como familiares.
Roseli analisa que a realidade vivenciada pelas mulheres do campo no Mato Grosso não difere dos outros estados, de maneira geral. “Mais uma pauta importante é a implementação da educação no campo com qualidade, que incentive a permanência dos jovens nas áreas rurais. Hoje o que vemos é um êxodo crescente”, alerta. A esse contexto, soma-se a necessidade de melhoria de acesso a direitos adquiridos, como o Pronaf-Mulher, que integra o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar e tem o objetivo de oferecer propostas de crédito à mulher agricultora, mediante apresentação e projeto ou proposta simplificada. “Ainda não temos mulheres beneficiadas em nossa cidade”.
Várias vozes
A Marcha das Margaridas, além de agricultoras familiares, tem a participação de indígenas, quilombolas, ribeirinhas, pescadoras, extrativistas, quebradeiras de coco, entre outras. A mobilização contará com a participação das educadoras do Instituto Centro de Vida (ICV), em Cotriguaçu, Elisangela Sodré e Suzanne Scaglia.
A mobilização está estruturada nos seguintes eixos:
– Soberania Alimentar;
– Terra;
– Água e agroecologia;
– Sociobiodiversidade e acesso aos bens comuns;
– Autonomia econômica: trabalho e renda;
– Educação não sexista, educação sexual e sexualidade;
– Violência;
– Direito à saúde e direitos reprodutivos e
– Democracia, poder e participação.
A pauta de reivindicações do movimento foi entregue à presidente Dilma Rousseff, no último dia 6. O Congresso Nacional também recebeu um documento anteriormente com projetos de lei que os trabalhadores e trabalhadoras rurais solicitam aprovação ou que não haja retrocesso em conquistas já estabelecidas.
O nome “Margarida” é uma homenagem à trabalhadora rural Margarida Maria Alves (1943 –1983). Ela foi presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, na Paraíba, e foi brutalmente assassinada em 12 de agosto de 1983.
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