Práticas inadequadas na pecuária de leite e de corte são um dos principais fatores de emissão do metano, um dos gases de feito estufa mais poluentes. Apesar de ter curta duração no meio ambiente, ele é considerado mais prejudicial que o dióxido de carbono.
Por meio do Compromisso Global do Metano, o Brasil se comprometeu a contribuir com a redução conjunta de 30% das emissões até 2030, em comparação a 2020. Nesse contexto, a adoção de boas práticas tecnológicas validadas a partir do Plano ABC+ se apresentam como solução.
Pensando nisso, o Instituto Centro de Vida (ICV) e o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) implementaram no norte de Mato Grosso e na Bahia o projeto “Reduzir o metano, transformar a pecuária: uma parceria pelo Clima”. A iniciativa é conduzida pelo Ministério de Agricultura e Pecuária (Mapa), tem apoio do CCAC e do PNUMA e parceria da Campo Soluções Agropecuárias e da Trust Consultoria.
Uma das ações do projeto é o apoio a cerca de 3 mil produtores na adoção de boas práticas agropecuárias com o intuito de aumentar a produtividade, além de reduzir a emissão do metano. Dessa forma, as organizações envolvidas acreditam ser possível fazer a transição para uma pecuária mais resiliente ao clima.
Conforme explicou o analista socioambiental do ICV Luan Cândido, fatores como má alimentação e degradação de pastagens e Áreas de Preservação Permanente (APPs) contribuem para a maior liberação de gases de efeito estufa.
“Queremos mostrar aos pecuaristas que realizar boas práticas como recuperação de pastagens, integração lavoura, pecuária e floresta e a implementação de sistemas como a Terminação Intensiva a Pasto (TIP) podem construir uma pecuária que emite menos. Selecionamos 10 propriedades para mostrar como tudo isso é economicamente viável e também gera ganhos produtivos”, disse.
Para além do campo, a coordenadora de Ciência do Clima do Imaflora Renata Potenza explicou a importância da construção de políticas públicas e da incidência para que seja possível implementar estratégias e ações focadas na redução do metano em todo o país.
“Um dos objetivos é a atuação na agenda de redução das emissões do metano desde as políticas públicas até a criação de critérios, indicadores e evidências para monitorar a redução da emissão do gás. Por fim, fazer com que essas informações cheguem a campo, cheguem no produtor”, explicou.
COP 30
O projeto foi destaque em um evento da COP 30 denominado “Mitigação de metano na bovinocultura de corte: das políticas públicas até o campo”. Além de Luan Cândido, participaram da apresentação a coordenadora de Ciência do Clima do Imaflora Renata Potenza, o auditor fiscal do Mapa Sidney Medeiros e a gerente executiva da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável Michelle Borges.
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