Com compromisso de interromper o desmatamento associado ao avanço da soja sobre a Amazônia, a Abiove, associação que reúne as principais tradings de soja do Brasil, e organizações da sociedade civil, com apoio do Ministério do Meio Ambiente, assinaram, em 2006, um acordo voluntário que ficou conhecido como Moratória da Soja. Com a assinatura, as empresas se comprometeram a não comprar os grãos provenientes de áreas desmatadas do bioma após julho de 2008.
Em janeiro deste ano, entretanto, incentivados por discussões no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e no STF, relacionadas ao poder do acordo diante do Código Florestal, Abiove e outros tradings importantes do setor deixaram o acordo. Pesquisadores da UFMG, do ICV, da Trase e do Centro de Inteligência Territorial apontam, em novo estudo, que mais de 13 milhões de hectares de vegetação nativa são colocados em risco na Amazônia com o fim da moratória.
Segundo dados do Centro de Sensoriamento Remoto da UFMG, em 2024, 43 mil imóveis com mais de 1 ha de soja conservavam 13.6 milhões de hectares de vegetação nativa na Amazônia, com média de 46% por imóvel — percentual inferior aos 80% exigidos pelo Código Florestal (CF). Essa vegetação, entretanto, é distribuída de forma desigual, de modo que 835 mil hectares representam excedente de reserva legal (RL) que, segundo o CF, podem vir a ser autorizados para conversão. Ao mesmo tempo, o conjunto de imóveis produtores de soja também acumulam 4,6 milhões de hectares de déficit de RL que precisam ser recuperados ou compensados.
Segundo os pesquisadores, desde a assinatura do acordo, o Grupo de Trabalho da Moratória da Soja vinha monitorando detalhadamente imóveis produtores e bloqueando aqueles que convertiam mais de 25 hectares de vegetação nativa em lavoura. Como resultado, entre 2008 e 2024, apenas 4% dos 6 milhões de hectares de novas lavouras de soja foram criados a partir da derrubada da vegetação nativa, segundo a própria Abiove.
“Mais de 80% da soja produzida na Amazônia é destinada ao mercado internacional, especialmente à China e à União Europeia. Além disso, cerca de 60% desse volume é comercializado por grandes empresas que eram signatárias da Moratória. Com o possível fim do acordo, todo esse mercado ficará exposto ao risco de associação com o desmatamento”, explica o professor Raoni Rajão, coordenador do CT-Modelagem da UFMG. Segundo ele, esse cenário pode reacender pressões internacionais e até levar a boicotes à soja da região, semelhantes aos que motivaram a assinatura da Moratória em 2006.
“A experiência da Moratória ao longo de todos esses anos demonstra que é possível expandir a produção sem avançar sobre florestas. Abandonar esse compromisso é um risco às metas ambientais, mas também à credibilidade do setor e ao acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes em relação à sustentabilidade”, completa.
Imagem: José Medeiros
O Instituto Centro de Vida (ICV) capacitou profissionais da Operação Amazônia Nativa (OPAN) em práticas com drones por meio da oficina de Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas (RPAs), que auxiliará no monitoramento e na proteção...
ver maisAs águas que brotavam na propriedade da produtora Andreia Gomes, em Alta Floresta (MT), secaram com o passar dos anos. Em uma propriedade historicamente degradada pelo uso intensivo do solo, restaurar a vegetação nativa em...
ver maisO agravamento da crise climática e o rápido avanço da perda de biodiversidade tornam essencial a execução não somente de ações de conservação, mas, principalmente, de restauração de áreas de vegetação nativa. Diante deste cenário,...
ver maisRua Estevão de Mendonça, 1770, Quilombo
Cuiabá – MT – Brasil
CEP: 78043-580
+55 (65) 3621-3148
Av. Ariosto da Riva, 3473, Centro
Alta Floresta – MT – Brasil
CEP: 78580-000
+55 (66) 3521-2844
Fique por dentro dos nossos conteúdos exclusivos para você.
© 2020 - Conteúdo sob licenciamento Creative Commons Atribuição 2.5 Brasil ICV - Instituto Centro de Vida | Política de Privacidade
Concepção e Design: Matiz Caboclo | Manutenção e atualização: Kasterweb