– Daniela Torezzan / Estação Vida
Uma análise elaborada pelo Instituto Centro de Vida (ICV) revelou a existência de déficits de Reservas Legais nos projetos de assentamentos (PAs) localizados na bacia do Rio Xingu em Mato Grosso. O mapeamento dos passivos e ativos florestais aponta que, em vários assentamentos, a área desmatada supera a preservada.
Um exemplo dessa situação é encontrado no PA São Francisco do Jarinã, localizado no município de Peixoto de Azevedo, região norte do estado, onde a área desmatada chega a 98%. Entretanto, na mesma região, encontramos o PA Vida Nova II, com 87% da Reserva Legal preservada.
Ricardo Abad, coordenador do Departamento de Geotecnologias do ICV, explica que os dados do mapa se referem apenas as áreas dos assentamentos localizadas dentro da bacia do Rio Xingu, podendo não representar a totalidade do território do PA. “Temos que fazer essa ressalva para não haver interpretações equivocadas dos dados, pois existem assentamentos com áreas dentro e fora da bacia do Rio Xingu”, esclareceu.
Um desses casos citados por Abad é o do PA Bordolândia, que aparece com 3% de área desmatada e 97% remanescente, mas que possui apenas a um pequeno pedaço do território dentro da bacia. Desta forma, segundo o coordenador, não é possível afirmar que o PA Bordolândia é um exemplo de preservação, pois não foi mapeada a situação da maior parte do território que está localizada fora da bacia do Rio Xingu.
O Instituto Centro de Vida considera o mapeamento de ativos e passivos florestais nesse contexto fundamental, pois reforça a necessidade de se avançar nas questões relativas a sustentabilidade da agricultura familiar na região, evitando o risco de novos desmatamentos e degradações.
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