Andrés Pasquis / Especial para ARA
Na última segunda feira (21), no meio da efervescência da Rio+20, vários representantes de organizações que integram a Articulação Regional Amazônica (ARA) falaram dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), em evento realizado no Teatro Maria Clara Machado. Tais objetivos, definidos pela Organização das Nações Unidas no ano 2000, tem como proposito elaborar metas e indicadores para orientar e medir progressos que são ou deveriam ser feitos em questões socioambientais nas regiões mais pobres do mundo como também naquelas em desenvolvimento. Neste caso particular, a ARA assumiu tamanha responsabilidade para a região amazônica, que engloba nove países: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela.
Durante a apresentação dos ODMs, houve a oportunidade de ouvir os encargados da ARA Bolívia, Equador e Peru, que falaram sobre os avanços realizados, informaram sobre os progressos ainda por fazer e alertaram sobre os aspetos mais drásticos próprios a cada pais.
Esses dados foram expostos por Juan Fernando Reyes (Herenria – Bolívia), Janett Ulloa (EcoCiencia – Ecuador), Karina Pinasco (AMPA – Peru) e Mariana Vedoveto (Imazon – Brasil).
No entanto, houve uma intervenção particular vinda da Colômbia, que decidiu expor um ponto de vista diferente sobre os ODM. Martin von Hildebrand, etnólogo diretor da Fundación Gaia Amazonas, sem negar a importância do projeto da ONU e da ARA, expôs uma preocupação relativa a forma e conteúdo do estudo. Ou seja, para ele é obvio que todo mundo concorda com os oito objetivos a serem alcançados, e que evocam características, em teoria, consideradas imprescindíveis pelo modelo de sociedade no qual vivemos, como a educação, o emprego, o desenvolvimento, etc.
Entretanto, segundo Hildebrand, é preciso, primeiramente entender, que já não é possível voltar atrás com relação ao cenário atual e, então, que a prioridade é encontrar soluções para frear o processo destrutivo que caracteriza nosso sistema, buscando adaptar-se ao mundo que criamos. Num segundo momento, imediatamente conectado ao primeiro, é fundamental parar de considerar nosso sistema como superior a qualquer outro.
De acordo com o etnólogo, nossos esforços para tentar melhorar o estado das coisas têm que excluir nossa visão etnocentrista do mundo, uma visão que normaliza a imposição de nossas ideias impedindo-nos de escutar outros pontos de vista. “Quem sabe por uma vez deveríamos aprender a ouvir, em lugar de falar”, disse o ambientalista, varias vezes premiado em questões parecidas.
É possível ter acesso aos ODMs no site do Imazon.
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