ICV promove intercâmbio em certificação participativa

ICV promove intercâmbio em certificação participativa

Agricultoras e agricultores de Mato Grosso foram ao Rio Grande do Sul conhecer cooperativas orgânicas da Rede Ecovida

Por Karyna Azevedo

O Projeto Redes Socioprodutivas, executado pelo Instituto Centro de Vida e apoiado pelo Fundo Amazônia, realizou um intercâmbio sobre certificação participativa entre os dias 28 de julho a 01 de agosto. Desta vez, a atividade foi promovida com agricultores e agricultoras familiares da cadeia de hortifrutigranjeiros dos municípios de Alta Floresta, Paranaíta, Nova Monte Verde, Nova Bandeirantes e Cotriguaçu.

Os municípios de Porto Alegre, Torres, Três Cachoeiras e Dom Pedro de Alcântara, todos no estado do Rio Grande do Sul, foram os escolhidos para a realização desta ação. O objetivo principal foi oferecer aos agricultores a possibilidade de obter mais informações sobre o marco regulatório brasileiro para produtos orgânicos, Sistemas Participativos de Garantia e temas relacionados à certificação da produção orgânica. A atividade também promoveu um intercâmbio de ideias e práticas sobre a estruturação de redes socioprodutivas sob o escopo de comercialização, associativismo e cooperativismo.

“Este foi o melhor intercâmbio que participei. Foi uma experiência única, muito gratificante”, conta Rosângela Aparecida dos Santos, da Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais e Artesãs de Nova Monte Verde (Amuverde). “Em cada visita aprendemos um pouco, pudemos ver de perto a maneira como as cooperativas trabalham e, assim, aprender novos conhecimentos. Agora é passar para nossas companheiras da Associação e colocar em prática tudo que aprendemos”, diz. A Amuverde trabalha com a produção de hortaliças, frutas, doces e artesanatos.

As iniciativas escolhidas para a visita são da Rede Ecovida, que atualmente abrange 352 municípios nos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná, envolvendo 340 grupos de agricultores, com cerca de 3.500 famílias e 20 ONGs. Em toda a área de atuação da rede acontecem mais de 120 feiras livres ecológicas e ainda outras formas de comercialização dos produtos orgânicos.

Os participantes do intercâmbio realizaram visitas técnicas a áreas de produção de horticultura agroecológica e agroflorestas, trocando saberes com as famílias dp Sul sobre os processos de produção, comercialização, associativismo, cooperativismo e certificação participativa. Durante as visitas, além dos momentos de degustação da diversidade de alimentos produzidos na região, o grupo pode perceber a importância da Rede Ecovida como elemento de formação e articulação entre os diferentes movimentos sociais e sua importância para alavancar e viabilizar o mercado de produtos orgânicos.
Os agricultores visitaram a Cooperativa dos Consumidores Ecológicos de Três Cachoeiras (Coopet), e a Cooperativa de Consumidores de Produtos Ecológicos de Torres (Ecotorres). Em ambas visitas, foi disponibilizada uma apresentação sobre a história das cooperativas e promovido um debate sobre a viabilidade e importância desta modalidade de organização para fortalecer o consumo de produtos orgânicos.

“Foi muito bom conhecer o funcionamento e a organização da rede agroecológica Ecovida”, diz Glaucinei Brissow Realto, da Associação dos Agricultores Orgânicos de Alta Floresta (Aspoaf). “Nosso foco maior foi na certificação participativa, pois os preços cobrados pelas certificadoras estão aumentando ano a ano e, como já atendemos supermercados, necessitamos da renovação anual da certificação. Com toda certeza vamos começar a aplicar algumas das experiências vistas durante o intercâmbio”, avalia o agricultor.

Para Luan Cândido da Silva, técnico do ICV e responsável pela cadeia de hortifrutigranjeiros do projeto Redes Socioprodutivas, o intercâmbio foi um grande aprendizado para os agricultores. “Esta viagem foi um grande aprendizado para todos nós. As pessoas puderam conhecer diferentes sistemas de produção, trabalho em grupo e estratégias de mercado que também podem ser adotadas na região. Além de aprender como funciona na prática o sistema da Ecovida, uma rede que atualmente atende mais de 3.500 famílias. Isto fortalece nosso grupo para melhorar a produção e obter uma nova visão de comércio”, analisa Luan.

O projeto Redes Socioprodutivas é uma iniciativa do Instituto Centro de Vida apoiado pelo Fundo Amazônia/BNDES. Iniciado em janeiro de 2018 possui previsão de execução de 30 meses e foco em seis cadeias socioprodutivas: castanha, babaçu, hortifrutigranjeiros, leite, cacau e café. A iniciativa atuará diretamente com associações e cooperativas de agricultores familiares distribuídos nos municípios do Norte – Alta Floresta, Paranaíta, Nova Monte Verde e Nova Bandeirantes –, e Noroeste – Cotriguaçu e Colniza – de Mato Grosso.