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Produção madeireira sustentável no estado de Mato Grosso: Realidade e Oportunidades

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Mato Grosso é hoje um dos principais polos madeireiros da Amazônia brasileira, combinando grande extensão territorial, alta diversidade de ecossistemas e uma base industrial consolidada. Apesar de registrar forte avanço da agropecuária, o estado ocupa posição de destaque no setor florestal madeireiro.

De 2010 a 2023, Mato Grosso transacionou aproximadamente 64 milhões de m³ de madeira em tora, respondendo, em média, por 44% da produção amazônica. Mesmo com a queda acentuada em 2023, o estado manteve resiliência industrial, processando internamente 99,45% de todo o volume que produziu, o que reforça seu papel estratégico na cadeia florestal brasileira. A produção está fortemente concentrada nos municípios de Aripuanã, Colniza e Juara, responsáveis por mais de um terço da madeira explorada.

O monitoramento das áreas sob exploração madeireira mostra que 2,95 milhões de hectares foram explorados em Mato Grosso entre 2010 e 2023, sendo 1,15 milhão de hectares não autorizados, evidenciando desafios na governança territorial e no fortalecimento da fiscalização. A atividade é dependente de um número restrito de espécies, como Cedrinho, Cupiúba, Mandioqueira, Qualea spp. e Itaúba. Algumas das principais espécies, como Ipê e Cumaru, passaram recentemente a integrar listas de controle internacional, ampliando a complexidade regulatória.

Em 2024, o mercado interno apresentou retração de 38%, com forte queda no consumo da madeira pelos estados do Sul e Sudeste. Em contraste, o mercado internacional cresceu 81%, impulsionado principalmente por Estados Unidos, China e países europeus, gerando maior competitividade da madeira mato-grossense no exterior. Esse avanço reforça o papel da rastreabilidade e a importância de estar em conformidade ambiental frente a normas como o EUDR[TC1.1] e as exigências da CITES.

Apesar dos desafios, que incluem insegurança normativa, pressão sobre espécies comerciais, expansão agropecuária, exploração ilegal e necessidade de diversificação de espécies e produtos, o estado preserva condições estruturais para fortalecer sua liderança no setor: ampla base florestal manejável, parque industrial robusto, diversidade de espécies e crescente demanda internacional por madeira de origem comprovadamente legal. Com maior integração regulatória, avanço tecnológico, ampliação do manejo florestal e estímulo à inovação, Mato Grosso tem potencial para se consolidar como referência nacional e internacional em produção de madeira nativa sustentável.

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