Desde que sua política socioambiental começou a ser implementada, em julho de 2006, o banco não apenas ganhou novos correntistas como também se tornou uma das instituições financeiras mais ativas em mesas-redondas e grupos de trabalho que reúnem indústrias, produtores rurais e organizações da sociedade civil para discutir padrões de sustentabilidade para o cultivo de soja e a produção de biocombustíveis e de carne bovina.
Um dos indicadores de sucesso de sua política de sustentabilidade foi o aumento significativo da proporção de clientes na categoria “muito bom” em sua classificação socioambiental dos produtores rurais, que faz parte da avaliação de risco efetuada pelos analistas de crédito do banco. O percentual de produtores na categoria “muito bom” cresceu de 36% em 2005 para 77% em 2007. Isso significa que mais de três quartos dos clientes do segmento rural do Rabobank tinham suas propriedades adequadas às legislações ambiental e trabalhista no ano passado. Como incentivo aos clientes da categoria “muito bom”, o banco concede desconto de até 0,5% no juro dos empréstimos.
Classificação do clientes do “rural bank”
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2005
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2006
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2007
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0 – 10A (muito bom)
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36%
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70%
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77%
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11 – 20B (bom)
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60%
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27%
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23%
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21 – 39 D (regular)
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4%
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3%
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0
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40 (inaceitável)
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0
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0
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0
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Para colocá-la em prática, o banco enfrentou desafios dentro de seu próprio corpo de funcionários. “A grande barreira era convencer os gerentes de contas a incluir a variável socioambiental na sua análise de risco dos clientes rurais”, recorda Daniela Mariuzzo, gerente de responsabilidade socioambiental do Rabobank Brasil. Foi necessário promover treinamentos de campo nas fazendas com funcionários do banco de modo que entendessem melhor o funcionamento da produção agropecuária e a aplicação das legislações ambiental e trabalhista no meio rural. “Os gerentes são normalmente treinados para vender e podem se sentir desconfortáveis em questionar seus clientes sobre eventuais problemas com as leis ambientais e trabalhistas”, diz Mariuzzo.
O questionário preenchido anualmente pelos clientes dos segmentos rural e corporativo é minucioso. No questionário enviado aos produtores rurais, há 31 perguntas, indagando o cliente sobre a existência de áreas de preservação permanente (APPs), reserva legal, outorga de água, uso de agrotóxicos perigosos, licença ambiental, certificações, manejo integrado de pragas, conservação do solo, multas e um sem-número de adequações à legislação ambiental.
Paralelamente ao questionário, um analista do banco visita a propriedade para avaliar a situação agronômica, verificar problemas financeiros e montar um perfil socioambiental da propriedade. O questionário e o perfil são as duas ferramentas básicas para o banco efetuar a avaliação socioambiental de 100% de seus clientes, independentemente do valor da operação. A avaliação é levada em conta na análise de risco do tomador de financiamento
Este ano o banco deu um passo ainda mais ousado na sua política de sustentabilidade. Publicou em março último oManual de Boas Práticas Socioambientais no Agronegócio com linguagem fácil, menção aos principais aspectos da legislação ambiental e trabalhista aplicada no meio rural e dicas para adequação das propriedades. O objetivo da publicação é orientar e apoiar os clientes do banco nas suas iniciativas para tornar as propriedades mais sustentáveis, diminuindo, portanto, os riscos de seus negócios. Dias de campo com clientes e funcionários das agências estão sendo realizados nas regiões onde o banco tem forte atuação para apresentar o manual e esclarecer dúvidas.
Em gestação no banco, está o lançamento em 2009 de linhas de financiamento para a adequação socioambiental das propriedades rurais. Com essas linhas, o produtor terá crédito em condições especiais para recompor APPs e reserva legal e efetuar o georeferenciamento da propriedade. O manual também será atualizado em decorrência da edição de novas leis ou alterações na legislação vigente.
É possível e factível reproduzir algo parecido ao modelo do banco holandês nos grandes bancos que financiam o agronegócio no Brasil? Para ambientalistas e ONGs da área social, a tarefa não apenas é possível e factível, como imprescindível para inserir a atividade agropecuária nos marcos legais.
Alguns bancos, porém, argumentam que o Rabobank conseguiu implementar essa política por ser uma instituição especializada na área rural e de alimentos, com um seleto e pequeno grupo de clientes (número não informado pelo banco) e presença concentrada em 12 cidades que estão entre os principais pólos agrícolas do país.
De fato, a estrutura enxuta é uma ótima condição para executar uma política de sustentabilidade bastante arrojada na área agrícola. Mas a atuação socioambiental do Rabobank pode servir de modelo para a formulação e implementação de políticas específicas para o agronegócio por seus concorrentes.
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