“Antes era tudo mais difícil, porque a gente não tinha experiência de nada. Todo ano não tinha capim, não tinha pasto”, explicou a agricultora familiar Rosinha Ferreira Rosa, que trabalha com pecuária de leite na região de Alta Floresta (MT).
A família dela foi uma das beneficiadas pelo projeto Redes Socioprodutivas, executado pelo Instituto Centro de Vida (ICV) com financiamento do Fundo Amazônia/BNDES. Por meio da iniciativa, Rosinha e a família tiveram acesso a novos conhecimentos sobre melhores técnicas de pastejo e também a equipamentos que facilitaram o seu trabalho.
Desde que teve acesso ao projeto, implementou em sua propriedade o sistema rotacionado, que mantém o gado nutrido e o solo conservado, e instalou um sistema de bombeamento que levou água para mais próximo de sua casa e de seu rebanho.
Na última semana, missão do Fundo Amazônia/BNDES visitou propriedades, associações e cooperativas nos 6 municípios em que o Redes Socioprodutivas atuou ao longo de seus 5 anos de execução. Além de Alta Floresta, foi a Paranaíta, Nova Monte Verde, Nova Bandeirantes, Cotriguaçu e Colniza, nas regiões norte e noroeste de Mato Grosso.
De acordo com o analista de projetos do Fundo Amazônia, Daniel Cavas, o objetivo da visita foi observar o resultado do Redes. Desta forma, foram analisadas as atividades conduzidas, os investimentos realizados e a aplicação dos recursos.
“Essa é uma análise final, um acompanhamento que a gente faz do projeto para ter esse histórico conosco. Foi muito bom ver tudo o que foi construído com base nesses cinco anos de execução e também ver como isso mudou a vida dessas pessoas, o impacto que isso causou na vida dessas pessoas”, disse.
Beneficiamento
Os profissionais também foram a Cooperativa Agropecuária Mista Ouro Verde (Comov), na mesma região em que fica a propriedade de Rosinha. É para lá, inclusive, que ela destina o leite produzido pelo seu rebanho. Eles são os responsáveis por beneficiar, industrializar e comercializar o insumo.
O presidente da Comov, Antônio Favarin Sobrinho, explicou que desde o início do auxílio do Redes foi possível incrementar a quantidade de produtos produzidos por lá, além de melhorar a industrialização e dar mais assistência ao produtor.
“Foi vital para Comov, desde o início até agora, com o fechamento do projeto. Foram muitos resultados, tanto na parte de assistência ao produtor, como também na parte de gestão e industrialização da cooperativa. Pegou o ciclo completo, inclusive comercialização.”
Recursos
Ao todo, foram destinados R$ 16 milhões ao projeto. O valor beneficiou 600 núcleos familiares e 20 organizações comunitárias que estiveram ligadas ao ICV nas cadeias socioprodutivas da castanha, do babaçu, do leite, do café e do hortifrutigranjeiro.
Para a diretora adjunta do ICV, Camila Horiye Rodrigues, o maior impacto que o Redes trouxe para a região foi conectar as organizações de diferentes municípios para criar uma agenda comum e fortalecer as cadeias de valor das quais elas fazem parte.
“Então, fruto disso, a gente tem um arranjo de comercialização com parcerias entre fornecedores, a gente tem uma rede de produção orgânica que olha os aspectos de certificação e cria uma rede de ajuda mútua, entre outras coisas”, disse.
“Acho que de uma forma geral o maior impacto foi a gente conseguir olhar esse território de uma forma mais ampla, coletiva e comum, no qual a gente pode partilhar desafios e criar soluções compartilhadas entre as diferentes organizações”, finalizou.
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