O Governo do Estado e o fundo climático “Althelia Climate Fund” assinaram, na última semana, um protocolo de intenções de investimento no Sistema Estadual de REDD+. O documento tem por objetivo a cooperação, nos próximos seis meses, do fomento e desenvolvimento do Sistema Estadual de REDD+ no âmbito dos mecanismos de geração de ativos ambientais e aperfeiçoamento dos modelos de financiamento público-privados.
Na oportunidade da assinatura, o governador de Mato Grosso, Pedro Taques (PSDB), afirmou que através desse protocolo o Estado pretende encontrar mecanismos eficientes para proteger o território estadual ao mesmo tempo que alavanque a economia. “O objetivo neste momento é avançar; nós queremos trocar o modelo que hoje é de pecuária extensiva, com baixa produtividade, para semiextensiva e com isso alcançar maior produtividade em um menor espaço e sem degradação ambiental, a partir de melhores técnicas”, frisou Taques.
A partir de agora, será feito um estudo do volume de recursos que serão investidos para a conservação da floresta e do clima, atrelado a melhoria da qualidade de vida da população.
Juan Carlos Gonzalez Aybar, diretor do Fundo Althelia na América Latina, explica que o objetivo é manter a floresta em pé com investimentos sustentáveis, reduzindo a pressão para o desmatamento. A intenção, segundo ele, é aplicar no mínimo R$ 100 milhões em Mato Grosso até 2017. “Somos investidores focados em alavancar transformações. Estamos buscando modelos econômicos de negócio que promovam transformação social e ambiental”, disse Aybar.
Dos R$100 milhões que o Fundo Althelia planeja investir em Mato Grosso nos próximos dois anos, cerca de R$ 50 milhões já foram destinados ao financiamento da recém-estabelecida Pecsa (Pecuária Sustentável da Amazônia), uma empresa com fins lucrativos que prestará assistência técnica, gestão e investimento aos pecuaristas da região de Alta Floresta no âmbito do Programa Novo Campo. “O Novo Campo é uma abordagem muito necessária e comprovada para lidar com o desmatamento no setor da pecuária no Brasil. Estamos honrados em ajudar a expandir o programa e espero que outros parceiros reconheçam os benefícios financeiros e ambientais desse tipo de investimento e participem também”, explicou o diretor do Fundo Althelia.
Ana Luiza Peterlini, secretária de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), ressaltou a importância das parcerias para alcançar os resultados esperados. “Através desse trabalho com parceiros, como o Instituto Centro de Vida (ICV), podemos alcançar os pequenos produtores e envolver todas as cadeias produtivas de Mato Grosso”, disse a secretária.
Renato Farias, diretor executivo do ICV, comemorou a assinatura do protocolo de intenções que, segundo ele, é o reconhecimento dessa antiga parceria. “Por muito tempo nós esperávamos resultados efetivos e agora conseguimos provar que é possível sim produzir sem desmatar”.
Um grupo de trabalho foi criado para produzir um plano de trabalho detalhando as etapas e prazos das ações a serem desenvolvidas, realizar estudos técnicos, econômicos e jurídicos para subsidiar o estabelecimento de cooperação futura e com base nisso emitir recomendações para a construção de novos e potenciais mecanismos de fomento e investimento sustentável para Mato Grosso.
Sobre o REDD+
O REDD+ é um mecanismo que está em discussão no âmbito nacional e internacional visando a Redução das Emissões de gases de efeito estufa oriundos do Desmatamento e da Degradação Florestal aliados à conservação, ao manejo florestal sustentável e ao aumento dos estoques de carbono florestal.
Em Mato Grosso, a lei que criou o Sistema Estadual de REDD+ foi publicada pelo Diário oficial em 07 janeiro de 2013.
Saiba mais sobre o Sistema Estadual de REDD+ aqui.
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