Depois de mais de dois meses de obras, foi concluída em fevereiro a reforma da casa multiuso da Aldeia Vila Nova Barbecho, do povo Chiquitano, no município de Porto Esperidião (440 quilômetros de Cuiabá).
As melhorias na estrutura foram coordenadas pela Fepoimt (Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso) em parceria com o ICV (Instituto Centro de Vida), no âmbito do Plano Emergencial de Enfrentamento à Covid-19 do REM/MT – Subprograma Territórios Indígenas (STI).
A casa é a sede da Escola Estadual Indígena Chiquitano José Turíbio, mas é qualificada como multiuso por abrigar também atendimento médico, odontológico, ensaios da orquestra, reuniões e capacitações, além de cozinha, refeitório e a coordenação pedagógica da escola.
Construída a partir de 2010 em regime de mutirão, a casa chegou a receber melhorias ao longo dos anos, mas ultimamente apresentava diversos pontos de desgaste estrutural, especialmente no madeiramento do telhado.
De acordo com Soilo Urupe Chue, Conselheiro Titular Deliberativo da FEPOIMT na Região Vale do Guaporé e liderança Chiquitano, a situação era propícia ao surgimento de goteiras que causavam danos aos materiais didáticos mantidos na escola, por exemplo.
“Essa reforma foi de suma importância para termos uma casa mais estruturada tanto para a escola quanto para o atendimento à saúde”, avalia ele, que foi o primeiro diretor da escola da aldeia.
Ao todo, foram investidos R$32 mil na reforma da casa multiuso. Na execução da obra, o ICV se encarregou da aquisição de materiais de construção, contratação de mão de obra e, em conjunto com a federação, da articulação com a comunidade.
“A execução deste subprojeto demonstra a força e a harmonia entre os parceiros e a comunidade, para entender as demandas da base e dialogar com as instituições. Esta reforma irá fortalecer as atividades coletivas da aldeia Vila Nova Barbecho, reforçando a luta pelo bem viver desta comunidade” diz, Stéphanie Birrer, coordenadora do Projeto “Vale do Guaporé Saudável e Sustentável”, do ICV.
De acordo com a estimativa da federação, cerca de 100 indígenas serão diretamente beneficiados com a nova estrutura. Uma alegria para Saturnina Urupe Chue, atual diretora da Escola.
“Aqui tem sala de aula, atendimento de saúde, biblioteca e até o material do pessoal da orquestra de violino. E esse teto estava todo encurvado e por isso dava goteira. É bem multiuso mesmo e por isso é muito importante essa melhoria na estrutura”, afirma ela.
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