A produção de café é o forte da Associação Comunitária Rural de Sol Nascente, em Alta Floresta. Por mês, sacas e mais sacas do grão são beneficiadas para comercialização. Mas, para além do pó torrado e moído, sobram as cascas sem valor comercial.
Para dar um fim adequado ao material orgânico, foi instalada no barracão da associação uma composteira termofílica com capacidade de compostar até 2,5 tolenadas de resíduos por mês. Na ocasião, os agricultores e agricultoras aprenderam a montá-la e a manuseá-la.
“Antes a gente improvisava e cada associado descartava em casa mesmo o que sobrava das cascas do café. Agora a gente vai conseguir utilizar o fertilizante para adubar também a nossa produção”, disse o presidente da Sol Nascente, Osvaldo Saragosa Rossi.
A oficina é uma ação do projeto Amazônia Viva Alimenta (AVA), realizado pelo Instituto Centro de Vida (ICV), pela Cooperação e Apoio a Projetos de Inspiração Alternativa (Capina) e pela Fundação Luterana de Diaconia (FLD), com financiamento da União Europeia.
A consultora da ação, Yasmin Rojas Fonseca, explicou que em Alta Floresta a produção de resíduos por pessoa é de 1,3 quilos por dia, número maior do que a média nacional. Por isso, é necessário conscientizar sobre o consumo e descarte dos materiais orgânicos, recicláveis e rejeitos.
“Nós fizemos aqui na Sol Nascente também uma educação ambiental com os associados e pessoas de outras comunidades do entorno para garantir que vai existir esse processo adequado de descarte e transformar esse resto que seria lixo em um adubo de alta qualidade”, disse.
A composteira
O método utilizado para compostagem é a composteira termofílica em leiras estáticas com aeração passiva. Neste método, a temperatura do composto pode chegar a até 70ºC nos primeiros 30 dias.
Para isso, os agricultores cavaram um buraco no chão em que foi instalada uma caixa d’água e canos para passagem do fertilizante. Em uma lona, foram criadas camadas de matéria orgânica e material seco. O resultado disso é um líquido que pode ser utilizado como adubo.
“O único cuidado que a gente recomenda é uma vez por mês analisar se está tudo bem com essa compostagem e ver como está a homogeneização desse material”, disse Yasmin. Nos próximos meses, outras 4 leiras devem ser implementadas na associação.
Além de a Sol Nascente, a ação do AVA também contempla a Cooperativa dos Produtores Hortifrutigranjeiros de Paranaíta (Coopervila), no município vizinho. Neste caso, a composteira será utilizada para descarte do beneficiamento de frutas.
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