Durante os dias 16 e 17 de setembro, 26 jovens e agricultores familiares participaram das atividades do Programa de Educação Ambiental (PEA) da ONF-Brasil realizado em parceria com o Instituto Centro de Vida (ICV), na comunidade Santa Clara, no Projeto de Assentamento Nova Cotriguaçu, em Cotriguaçu, Mato Grosso. A programação ocorre pelo terceiro ano consecutivo, de forma itinerante. Nesta edição, o tema foi a questão das queimadas. A agenda envolveu integrantes da Associação de Pequenos Produtores Rurais Santa Clara e o Grupo Mulheres da Paz.
Os participantes fizeram uma reflexão sobre o documentário “A Resposta da Terra”, produzido pela AXA (Articulação Xingu-Araguaia), que aborda as iniciativas que pequenos produtores e indígenas da bacia do rio Xingu e rio Araguaia no Mato Grosso vem desenvolvendo para reverter o desmatamento, que assola principalmente os agricultores familiares e indígenas da região há mais de 30 anos.
Na etapa prática, a oficina resultou na definição de um local para a implantação de um canteiro agroflorestal (sistema que imita a floresta, com diferentes espécies, que possibilita o melhor aproveitamento do espaço, dos nutrientes, da água, do tempo e da mão-de-obra) e no início do plantio com sementes e mudas para alimentos, adubação verde, fins medicinais e frutíferas, entre outras. Sob orientação de educador da ONF-Brasil, os agricultores aprenderam alternativa de irrigação com a utilização de palitos de pirulito e pregos, para a produção de aspersores. Também exercitaram a produção de mudas no viveiro comunitário, que terá capacidade para 5 mil mudas, recém-montado pela Associação com orientação técnica de funcionário do Parque Nacional do Juruena.
“Achei muito interessante o jeito de plantar no canteiro. Por que se você planta uma coisa só, se der algum problema, você vai na roça colher e volta com as mãos vazias. Desse jeito, não, sempre que você passar pela roça, vai ter alguma coisa sendo produzida”, disse o agricultor familiar Edemir Oliveira Barbosa.
A oficina foi encerrada com a exibição do curta-metragem “Para Onde Foram As Andorinhas?” produzido pelo Instituto Socioambiental (ISA) em parceria com o Instituto Catitu. O filme lançado em agosto deste ano, mostra como os povos indígenas que habitam o Parque do Xingu no Mato Grosso estão percebendo os impactos da mudança climática, tanto na produção de suas bases alimentares quanto em sua cultura e rituais. Os participantes discutiram a temática e observaram semelhanças com os problemas locais, que envolvem desmatamento e queimadas nos PAs do município de Cotriguaçu, que são favorecidos pela situação de irregularidade fundiária e aumento da incidência da pecuária nos lotes.
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