Estudo inédito publicado no jornal acadêmico Biological Conservation não encontrou evidências de que a estabelecer áreas protegidas na Amazônia e na Mata Atlântica faz com que o desmatamento se espalhe para fora de seus limites, o fenômeno conhecido por “leakage”. A pesquisa teve colaboração do analista do Instituto Centro de Vida (ICV) Marcondes Coelho.
A publicação destacou que as áreas protegidas podem provocar um efeito de conservação que ultrapassa seus limites, o chamado “blockage”. Foram utilizados diferentes modelos estatísticos e dados de cobertura florestal para avaliar o possível deslocamento do desmatamento, a partir dos limites de 425 áreas protegidas.
O estudo também incluiu Unidades de Conservação e Terras Indígenas. O analista em gestão ambiental do ICV, Marcondes Coelho, explicou que o leakage pode ocorrer quando se tem a restrição de áreas ou adoção de medidas de conservação.
“Por exemplo, quando a Amazônia reduziu em cerca de 80% o desmatamento entre 2004 e 2012, devido aos diferentes esforços públicos e privados para conservação, nós tivemos um aumento da perda de vegetação natural no Cerrado. Esse seria um efeito leakage entre biomas”, disse.
O pesquisador que liderou o estudo, Luizmar Barros, pontuou que os resultados encontrados sugerem que os esforços de conservação reduziram efetivamente o desmatamento, ao invés de deslocar a perda de floresta para as áreas do entorno.
Essa conclusão tem implicações importantes para as políticas de conservação, uma vez que o leakage tem sido considerado até agora um risco significativo ou um inconveniente para o estabelecimento de novas áreas protegidas.
Os autores ressaltaram que embora ainda possam ocorrer deslocamento de desmatamento em escalas transnacionais, os esforços de conservação devem continuar a fortalecer as áreas protegidas atuais, apoiar as restrições das áreas do entorno e aumentar a conectividade.
“Esse foi um trabalho dedicado à conservação da biodiversidade, aos povos da floresta e futuro do clima global, sem dúvidas”, completou Marcondes.
Proteção das florestas
Apesar de mostrar o papel relevante das áreas protegidas no controle do desmatamento, a pesquisa demonstrou que 40% das áreas protegidas analisadas têm prioridade “alta” e “muito alta” para ações de fortalecimento da proteção das florestas.
Os Territórios Indígenas representam 72,5% das áreas protegidas com prioridade “alta” e 44,4% com prioridade “muito alta”, especialmente na região do Arco do Desmatamento.
Entre as Unidades de Conservação com prioridade “muito alta” para essas ações, destacam-se a Reserva Extrativista Arapixi, a Área de Proteção Ambiental do Tapajós, o Parque Nacional do Rio Novo, o Parque Nacional do Juruena e o Parque Nacional dos Campos Amazônicos. Cada uma tem mais de 10 mil hectares a serem protegidos.
A prioridade para tais ações foi apresentada sob forma de um índice que pode orientar tomadores de decisão a partir de cinco classes de nível de prioridade, baseadas no efeito do estabelecimento das áreas protegidas sobre o desmatamento dentro e no entorno das áreas.
Foto: Parna Juruena – Adriano Gambarini
Alimentos como farinha de mandioca, açaí, castanha-do-Brasil, peixe e banana-da-terra agora fazem parte do cardápio da merenda escolar das escolas indígenas estaduais Apiaká-Kayabi de Juara, no interior de Mato Grosso. Tudo o que é servido...
ver maisRecém-criada por decreto do Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI), a diretoria do Cadastro Ambiental Rural (CAR) terá trabalho pela frente. É o que aponta a nota técnica “ Medidas para aprimoramento...
ver maisCom o intuito de auxiliar no fortalecimento e aprimorar a gestão territorial e ambiental do município de Alta Floresta (MT), o Núcleo de Inteligência Territorial do Instituto Centro de Vida (ICV) ministrou uma oficina sobre...
ver maisRua Pres. Castelo Branco, 510, Quilombo
Cuiabá – MT – Brasil
CEP: 78043-430
+55 (65) 3621-3148
Av. Ariosto da Riva, 3473, Centro
Alta Floresta – MT – Brasil
CEP: 78580-000
+55 (66) 3521-2844
Fique por dentro dos nossos conteúdos exclusivos para você.
© 2020 - Conteúdo sob licenciamento Creative Commons Atribuição 2.5 Brasil ICV - Instituto Centro de Vida | Política de Privacidade
Concepção e Design: Matiz Caboclo | Manutenção e atualização: Kasterweb