Após oficina do Redes Socioprodutivas, agricultor defende a rentabilidade dos SAFs

Após oficina do Redes Socioprodutivas, agricultor defende a rentabilidade dos SAFs

Uma aula prática mostra para os participantes a função das máquinas no SAF (Foto: Luan Cândido/ICV)

O sistema que mescla o cultivo de espécies florestais e agrícolas foi tema da Oficina de Planejamento de Sistemas Agroflorestais (SAF), realizada em 14 de fevereiro no município de Paranaíta, Norte de Mato Grosso. As atividades foram desenvolvidas em uma chácara da região, espaço proporcionado pela Cooperativa dos Produtores Hortifrutigranjeiros de Paranaíta (Coopervila).

O Coordenador do projeto Redes Socioprodutivas/ICV Eduardo Darvin foi um dos palestrantes do evento e enfatizou o entusiasmo dos 18 participantes, entre técnicos e agricultores, em receber apoio do projeto para implantação dos SAFs. Os próximos passos são visitas técnicas às propriedades dos agricultores para auxiliar no planejamento do SAF, que deve ser realizado a partir da análise de cada área e do perfil do produtor.

Sulivan da Silva, presidente da Coopervila, está animado com os planos de implementar o sistema em sua chácara, a Santa Luzia. O SAF “traz melhor qualidade de vida tanto para o agricultor, que não terá de mexer mais com agrotóxicos, quanto para o consumidor, que terá um produto orgânico de qualidade”, argumentou Sulivan.

O curso durou apenas um dia, mas foi intenso. O objetivo era nivelar o conhecimento de todos os participantes sobre o tema, além de oferecer conceitos e práticas para o planejamento, implementação e manejo de SAF. Durante o período da manhã, momento mais teórico, houve a explicação da definição e dos princípios agroflorestais. A base das discussões foi a perspectiva da Agricultura Sintrópica de Ernst Gotsch. As reflexões desse agricultor/pesquisador suíço promovem a recuperação das áreas degradadas a partir do uso da terra, considerando o estabelecimento de um sistema produtivo sem a necessidade de insumos externos.

No período da tarde, foi a vez das atividades práticas com o teste de máquinas para a roçagem de uma área onde será implementado o cultivo agroflorestal. Entre as máquinas que podem contribuir para a execução de SAFs, estão diferentes modelos de roçadeiras, motocultivadores e trituradores.

“Além disso, foi trabalhada a visão do projeto de vincular o planejamento do SAF ao modelo de negócio da cooperativa, para aliar de fato a sustentabilidade econômica, ambiental e social”, explicou Darvin. O projeto Redes Socioprodutivas apoia o agricultor familiar desde a obtenção dos insumos até a comercialização. A adoção de práticas mais sustentáveis pelos agricultores, associações e cooperativas pode gerar valor agregado aos alimentos, além de permitir acesso a um mercado em franca expansão no país.

“O sistema agroflorestal é um diferencial para se destacar no mercado, não é algo difícil de se aplicar”, aposta Sulivan. O retorno gerado por esse diferencial pode fortalecer os agricultores contribuindo para a sua melhoria de vida, promover a inserção de espécies arbóreas na paisagem produtiva e estimular a manutenção da floresta em pé, objetivos do projeto.

A oficina foi idealizada a partir de uma demanda da Coopervila de se capacitar para o cultivo agroflorestal, em especial com um sistema que incorpore espécies nativas e frutíferas. Atualmente, eles comercializam o maracujá in natura. A produção das árvores frutíferas no SAF resultaria em um mix de novos produtos e subprodutos. A cooperativa tem interesse em cultivar espécies como cupuaçu, acerola, abacaxi, açaí e goiaba.

O presidente da cooperativa se interessa pelas técnicas de SAF desde 2013 e queria aprender mais para aplicar em suas terras. Segundo ele, muitas vezes os agricultores não aplicam essas técnicas devido a barreiras financeiras. Mas o processo se torna mais fácil quando compreendem os benefícios e o quanto rentável o sistema é: “Com a oficina, eles absorveram o conteúdo e saíram de lá com a visão de onde dá pra chegar”, afirmou Sulivan.

A atividade foi organizada pelo projeto em parceria com a Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Aquicultura de Paranaíta. O projeto Valorizando Cadeias Socioprodutivas na Amazônia – Redes Socioprodutivas atua em seis municípios do Norte e Noroeste de Mato Grosso, sendo realizado pelo ICV com apoio do Fundo Amazônia.