29 nov 2016
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Mato Grosso desmatou 150 mil hectares de floresta amazônica em 2016

Autor: Assessoria de comunicação

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Daniela Torezzan / ICV

Pelo segundo ano consecutivo, Mato Grosso desmatou mais de 1.500 quilômetros quadrados (km²) de floresta amazônica. A taxa divulgada nesta terça-feira (29) pelo Instituto de Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) foi de 1.508 km², registrados entre agosto de 2015 a julho de 2016. No mesmo período anterior, o desmatamento foi de 1.601 km². Essa taxa significou um aumento de 48% com relação a 2014. Ou seja, mesmo considerado a redução de 6% entre 2015 e 2016 a situação demonstra a permanência de altos índices de desmatamento no estado. Com esse desempenho, Mato Grosso ocupa, atualmente, a vice-liderança no ranking nacional, atrás apenas do estado do Pará, que desmatou 3.025 km². Os dados são do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes).

infografico-prodesA taxa de desmatamento em Mato Grosso pode parecer pequena para quem não está familiarizado com o sistema de medição, mas quando transformada em hectares dá a dimensão exata do tamanho do estrago: 1.508 km² é igual a um buraco de 150.800 hectares dentro da floresta. Outro fator preocupante é que praticamente todo o desmatamento realizado no último ano em Mato Grosso, 95%, foi ilegal, ou seja, sem autorização, caracterizando crime ambiental, segundo informações divulgadas pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema-MT), na última semana.

A tarefa de zerar o desmatamento ilegal até 2020 é um dos compromissos assumidos pelo governador Pedro Taques, previstos na Estratégia Produzir, Conservar e Incluir (PCI) lançada na Conferência Mundial do Clima (COP21), em Paris, no ano passado. A Estratégia foi construída com a participação do governo do estado, setor privado e organizações não governamentais tendo várias metas nos eixos de produção, da conservação e inclusão da agricultura familiar.

“O desmatamento em Mato Grosso continua muito alto, com uma taxa de ilegalidade inaceitável. Não há motivos para comemoração. O que reforça a necessidade de uma ação imediata para combater esse problema. O governo do estado ainda precisa fazer o dever de casa para cumprir a meta de zerar o desmatamento ilegal até 2020, conforme se comprometeu o governador na COP21, em Paris, há um ano atrás”, reforça Sérgio Guimarães, membro da coordenação do Instituto Centro de Vida (ICV).

A avaliação é de que, mesmo tendo realizado algumas ações de fiscalização, o governo do estado não implementou o choque de gestão necessário para enfrentar a gravidade da situação, como por exemplo, a utilização de instrumentos inovadores e mais eficientes no combate ao desmatamento, o compromisso dos mercados que compram produtos mato-grossenses, além de uma ação mais efetiva junto aos municípios considerados críticos.

Amazônia Legal

Ainda de acordo com o Prodes, foram derrubados 7.989 km² de floresta nos estados que compõem a Amazônia Legal, no período de agosto de 2015 a julho de 2016. Isso representa um aumento de 29% em relação a 2015, ano em que foram medidos 6.207 km². Este é o maior registro desde 2008, ano em que o combate ao desmatamento se tornou mais efetivo e as taxas anuais de perda da floresta começaram, gradualmente, a cair.

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