29 nov 2016
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Conferência do Clima encerra com poucos avanços

Autor: Assessoria de comunicação

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Denise Faria*

copA 22ª edição da conferência internacional do clima (COP22), em Marrakesh que aconteceu de 07 à 18 de novembro, contou com 271 delegados brasileiros, sendo 87 ligados a Governos e 184 da sociedade civil, todos com o objetivo de acompanhar as discussões sobre o crescente índice da liberação exacerbada de CO2 na atmosfera.

A busca por maior comprometimento dos 196 membros da Convenção do Clima nos acordos já firmados anteriormente em Paris e nos novos tratados deram uma perspectiva ampliada do cenário que deve ser trabalhado ao longo dos próximos anos e o quanto ainda precisamos evoluir em termo de organização interna, enquanto país.

O Instituto Centro de Vida (ICV) esteve representado pelo coordenador da iniciativa de Pecuária Sustentável, Francisco Beduschi Neto, que acompanhou as discussões junto Imaflora, parceiro do Programa Novo Campo. Um dos espaços de interesse foi a apresentação de propostas de um novo modelo para a pecuária na Amazônia brasileira reduzindo o desmatamento e a emissão de gases estufa.

A geração de gases estufa pelo Brasil é uma das maiores do mundo e somente a pecuária gera cerca de 66% desta parcela (dados do Sistema de Estimativa de Emissão de Gases Estufa feito pelo Observatório do Clima). Em segundo lugar vem a produção de energia, com 26% em uma crescente anual, além da emissão por automóveis e industrias de madeira.

Desta forma a contribuição dos estudos da experiência de produção sustentável na pecuária brasileira gera esperança para futuras práticas menos impactantes em termos de desmatamento e emissão de gases estufa, visto que tal técnica prioriza o cuidado com o solo e água da propriedade, gerando o esquecimento de antigos hábitos de produção e reduzindo os impactos ambientais que o processo convencional causava.

Segundo Beduschi o Brasil ainda precisa avançar em conversas internas para apresentar propostas mais maduras em conferencias internacionais. “Está muito claro pelos nossos trabalhos com pecuária que a redução de CO2 é maior, então seria um meio excelente para o cenário nacional. Se a gente chegasse alinhado com governo estadual e federal em uma proposta e apresentasse na conferência uma média de valores a ser investido já avançaríamos muito em organização. Em termos de COP ainda falta caminharmos todo mundo junto” explica Francisco.

Uma das metas voluntárias apresentadas pelo Brasil é de reduzir em 37% as emissões até 2025, com indicativo de chegar a 43% em 2030, visto como um compromisso ambicioso pela comunidade ligada aos trabalhos ambientais no país, além de não mostrar o passo a passo de como está meta será alcançada.

“Ouvi os compromissos brasileiros e o do próprio ministro da agricultura: muitas promessas, mas não tem uma perspectiva com metas claras do passivo ambiental. O que vai ser feito efetivamente para reduzir o desmatamento? O que vai ser feito para apoiar o pequeno agricultor? O próprio código florestal ainda não esclarece muitos questionamentos e são perguntas que devem ser respondidas pra gente alcançar os objetivos traçados na COP”, pontua o representante do ICV sobre a conduta adotada pelo Brasil.

Mesmo com algumas ressalvas sobre a postura nacional, ainda se vislumbra uma abertura para novos horizontes com expectativas de respostas e um trabalho em conjunto com outros atores da cadeia produtiva, amadurecendo as relações que farão com que o Brasil cresça em uma melhor postura ambiental.

*estagiária de jornalismo sob supervisão da jornalista Raíssa Genro

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