03 set 2015
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Uso das Geotecnologias podem contribuir para redução do desmatamento na Amazônia

Autor: Assessoria de comunicação

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Comissão organizadora e palestrantes do I Sigepa. Foto: Raíssa Genro

Comissão organizadora e palestrantes do I Sigepa. Foto: Raíssa Genro

Raíssa Genro/ICV

O Território Portal da Amazônia compreende 17 municípios da região norte de Mato Grosso. Esta fronteira agrícola, com 57,2% de cobertura florestal remanescente, se encontra em fase de consolidação das áreas produtivas ainda sofrendo pressão sobre as áreas de floresta muito em função das pastagens e solos cultivados estarem degradados. O principal vetor do desmatamento na região é a pecuária, praticada, em grande parte dos casos, de forma extensiva. Com este cenário as geotecnologias são importantes ferramentas para  auxiliar a gestão territorial  buscando reduzir a perda de floresta. Compreendidas como o conjunto de tecnologias para coleta, armazenamento, processamento, análise e disponibilização de informações geográficas, elas podem atuar na caracterização da paisagem, diferenciando pastagens degradadas e não degradadas, por exemplo, na regularização fundiária e ambiental de propriedades rurais e no monitoramento destas áreas.

 “Para isso é necessária a regularização das áreas e conhecer a dinâmica da cobertura florestal e uso do solo, ou seja, dos recursos que se trabalha na propriedade”, analisou Vinicius Silgueiro, coordenador do Núcleo de Geotecnologias do Instituto Centro de Vida (ICV), durante o I Simpósio de Geotecnologias no Portal da Amazônia, realizado em Alta Floresta, norte de Mato Grosso, entre os dias 26 e 29 de agosto. O simpósio foi organizado pelo Grupo de Pesquisa em Geotecnologias da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) em parceria com o ICV.

As geotecnologias já estão sendo utilizadas entre as boas práticas agropecuárias, por exemplo. Neste sentido, Fernando de Araújo, pesquisador do Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento da Universidade Federal de Goiás (Lapig/UFG), falou sobre o trabalho que está levantando dados zootécnicos de fazendas de pecuária, como lotação de unidade animal por hectare, período de pastejo e repouso, produtividade de capim por área, adubações e formas de ocupação da área (reformas, mecanização). Aliadas ao processamento de imagens de satélite e idas a campo, as análises irão compor uma radiografia das pastagens no país e evidenciar as diferenças entre pastagens degradadas e produtivas.

Importante tecnologia que pode ser aliada no monitoramento e controle do desmatamento são os RPAs, remotely piloted aircraf, em português, aeronave remotamente pilotada, também conhecido como VANT (Veículo Aéreo Não Tripulado) ou drone. Conforme o modelo e tipo é possível obter imagens de altíssima resolução de área superior a mil hectares, em cerca de uma hora. Gustavo Manzon, professor da Universidade Federal de Mato Grosso, apresentou os diversos modelos de VANT’s. O trabalho de radiografia das pastagens que está sendo realizado pelo Lapig também utiliza um VANT nos levantamentos. A previsão é de que em novembro sejam realizados voos na região de Alta Floresta, passando por fazendas do Programa Novo Campo. O Programa é coordenado pelo ICV e promove práticas sustentáveis em fazendas de pecuária na Amazônia, melhorando seu desempenho econômico, social e ambiental. Uma das intervenções do programa nas fazendas é a recuperação das áreas degradadas – tanto de pasto, com a intensificação, por exemplo, como de áreas de preservação permanente, com a restauração florestal das APPs.

A carência de profissionais capacitados para atuar com as geotecnologias tanto no monitoramento como na regularização é visível na região. “Segundo a revista britânica Nature as geotecnologias estão entre os três mercados emergentes mais importantes da atualidade, junto com a nanotecnologia e a biotecnologia”, destacou Edgley da Silva, professor da Unemat na palestra de abertura do Simpósio.  Dessa forma, além de atuar na redução do desmatamento e contribuir com o melhor uso das áreas já abertas, esta tecnologia pode ser também um diferencial na atuação de futuros profissionais em um mercado de trabalho cada dia mais competitivo.

Em 2014 o ICV entregou bases cartográficas para os municípios de Paranaíta, Carlinda, Nova Bandeirantes, Apiacás, Nova Monte Verde, Terra Nova do Norte e Peixoto de Azevedo com informações sobre a quantidade de nascentes, estradas, cobertura florestal, área de solo exposto, entre outras, instrumento de apoio no desenvolvimento de uma gestão ambiental descentralizada. Além disso vem realizando também o cadastramento ambiental rural (CAR) de propriedades com até 4 módulos fiscais.

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