23 set 2015
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Queimadas aumentam em Mato Grosso e período proibitivo será prorrogado novamente

Autor: Assessoria de comunicação

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Daniela Torezzan/ICV

Foto: Arquivo ICV

Foto: Arquivo ICV

O período que proíbe as queimadas em Mato Grosso, que terminaria em 15 de setembro, será prorrogado, novamente, até o dia 15 de outubro, de acordo com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), como consequência direta dos altos índices de focos de calor e da péssima qualidade do ar registrados nos municípios do estado.

Apesar da proibição, que começou em 15 de julho, os focos de calor no estado aumentaram 6,6% com relação ao mesmo período do ano passado. Entre primeiro de janeiro e 23 de setembro deste ano, o satélite referência do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) detectou 21.418 focos, contra 20.091 registrados no mesmo intervalo de tempo em 2014.

Se analisados apenas os focos registrados durante o período de proibição, ou seja, quando a Sema-MT não emite autorizações para a queima legal, o número também cresceu: foram 15.754 este ano e 14.043 no ano passado.

Os mais de vinte mil focos de calor estão distribuídos em várias regiões do estado, mas atingem, principalmente, Colniza (1.766 focos) e Cotriguaçu (583 focos), municípios do noroeste de Mato Grosso. Esta região concentra grandes áreas de florestas nativas, mas é considerada a nova fronteira agropecuária pois registra, também, os maiores índices de desmatamento do estado. Colniza, por exemplo, teve uma alta de 204% no desmatamento entre julho de 2014 e agosto de 2015, se comparado com o mesmo período do ano anterior: foram derrubados 171 quilômetros quadrados, o que representa 17% do total detectado em Mato Grosso.

Ainda com relação as queimadas, outros cinco municípios mato-grossenses registram mais de 500 focos de calor, segundo o Inpe: Nova Bandeirantes, Santa Terezinha, Comodoro, São Félix do Araguaia e Aripuanã.

As queimadas em áreas rurais ainda são usadas para manejo de pastagens degradadas ou para limpeza de áreas recém-desmatadas. Esse crime ambiental tem pena que pode variar de seis meses e quatro anos de prisão, com multas de R$ 7,5 mil (vegetação nativa) ou R$ 1 mil (pastagem e agricultura) por hectare queimado. Em áreas urbanas, as queimadas são proibidas o ano inteiro, mas os municípios também têm dificuldades para combater essa prática e as ocorrências são abundantes.

A preocupação não está apenas nos números, pois as consequências das queimadas são sentidas pela população de modo geral, que sofre com problemas de saúde. A prova é o Boletim da Vigilância da Qualidade do Ar da Sema-MT, divulgado nesta terça-feira (22), que apontou que cerca de 80% dos municípios mato-grossenses está com a qualidade do ar inadequada, com limites de material particulado no ar bem acima do nível considerado permitido.

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