18 jun 2013
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Desmatamento cresce 82% em Mato Grosso

Autor: Assessoria de comunicação

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Daniela Torezzan / ICV

Dados do Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD) divulgados nesta semana pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) confirmam a tendência de alta no desmatamento em Mato Grosso, registrada desde agosto do ano passado. Em maio, o estado desmatou 51 quilômetros quadrados de floresta, representando 61% do total detectado em toda a Amazônia Legal (84 quilômetros quadrados). Neste cenário, entre os dez municípios que mais desmataram oito estão localizados em Mato Grosso: Nova Maringá, Marcelândia, Porto dos Gaúchos, Juína, Santa Rita do Trivelato, Rondolândia, Nova Mutum e Apiacás.

Figura 9. Municípios mais desmatados na Amazônia Legal em maio de 2013 (Fonte: Imazon /SAD).
Figura 9. Municípios mais desmatados na Amazônia Legal em maio de 2013 (Fonte: Imazon /SAD).

Contudo, a situação é mais preocupante se analisados os números do desmatamento acumulado nos últimos dez meses, entre agosto de 2012 a maio de 2013 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Neste intervalo de tempo, Mato Grosso registrou uma alta de 82% no corte raso da floresta, passando de 292 para 532 quilômetros quadrados.

Evolução do desmatamento entre os Estados da Amazônia Legal de agosto de 2011 a maio de 2012 e de agosto de 2012 a maio de 2013 (Fonte: Imazon/SAD).
Evolução do desmatamento entre os Estados da Amazônia Legal de agosto de 2011 a maio de 2012 e de agosto de 2012 a maio de 2013 (Fonte: Imazon/SAD).
Considerando o desmatamento acumulado nos dez meses do calendário atual de monitoramento (agosto de 2012 a maio de 2013), o Pará lidera o ranking nacional, com 41% do total desmatado, seguido por Mato Grosso, com 32%.

Segundo o Instituto Centro de Vida (ICV) os dados evidenciam uma retomada do desmatamento na Amazônia Legal, liderada por esses dois estados (MT e PA). “Isso mostra que a redução do desmatamento na Amazônia é um resultado que ainda não está consolidado”, alertou Laurent Micol, coordenador executivo do ICV.

Sobre as medidas para combater o problema, o representante da ONG ressalta a necessidade de ações de controle da ilegalidade e incentivos para práticas sustentáveis de produção. “A maioria do desmatamento continua sendo ilegal. As multas são aplicadas, mas raramente pagas, e os incentivos positivos para a produção legal e sustentável são insuficientes e difíceis de serem acessados”, expos Laurent.

Para ele, essa pauta deveria ser enfrentada com urgência e determinação pelo governo do estado, que está no momento de elaborar o Programa de Regularização Ambiental (PRA) onde serão definidas as regras de aplicação do novo Código Florestal, e de fazer a revisão do Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas (PPCDQ-MT), lançado inicialmente em 2009 e que venceu em 2012. “Esperamos que esses processos sejam conduzidos com eficiência e assegurando uma participação ativa da sociedade, o que é fundamental para que esses instrumentos tenham aderência à realidade e maiores chances de sucesso”, concluiu.

 

A Amazônia Legal também registrou alta de 89% no desmatamento acumulado entre agosto de 2012 e maio de 2013 se comparado com o mesmo período anterior, passando de 873 quilômetros quadrados para 1.654.

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