06 fev 2013
Notícias

Pecuaristas de Mato Grosso conhecem práticas de pecuária integrada em Minas Gerais

Autor: Assessoria de comunicação

Compartilhe nas redes sociais
Galeria de Imagens: clique para ver em tela cheia

Daniela Torezzan / ICV

“Viajar cura ignorância”. A frase de Tatiane Cristelli, engenheira agrônoma responsável pela Fazendo do Flor, localizada no município de Funilândia, Minas Gerais, é um bom resumo dos resultados da viagem técnica do grupo mato-grossense que visitou vários municípios daquele estado durante a última semana.

A comitiva formada por 21 pessoas, entre elas, pecuaristas de Alta Floresta e Cotriguaçu, cidades localizadas no norte e noroeste de Mato Grosso, representantes da Embrapa, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Instituto Centro de Vida (ICV), conheceram diversas tecnologias para melhorar a produção pecuária, tanto de corte quanto de leite, com sistemas rotacionados de pastagem, integração com lavoura (milho, sorgo e soja) e madeira (eucalipto). Outro diferencial é que a visita técnica incluiu pequenas, médias e grandes propriedades. “É claro que não existe um modelo pronto que pode ser copiado de um lugar para outro, mas sempre se aprende muito com experiências que já estão em andamento, o que possibilita diminuir a margem de erros”, comentou Fabiano Alvin, professor da UFMG e orientador do projeto Pecuária integrada de baixo carbono, desenvolvido pelo ICV e parceiros em Alta Floresta.

A proposta da viagem, segundo Vando Telles, coordenador do projeto, era justamente possibilitar ao grupo que participa dessas atividades em Mato Grosso, estabelecer parâmetros de comparação entre as realidades e adquirir conhecimentos que possam ser adaptados para a realidade local. “Queríamos mostrar que é possível fazer uma pecuária com melhores práticas de gestão e produção, aliada a conservação dos recursos naturais”, disse Vando.

Seyr Rueles, mais conhecido como Chapéu de Couro, que mora em Alta Floresta há 37 anos, diz que a pecuária está vivendo um momento em que é preciso decidir: ou melhoram as práticas ou a atividade será sinônimo de prejuízo ano após ano. “Não dá mais para fazer as coisas como era feito há 20, 30 anos. A realidade mudou e precisamos evoluir com ela. Aqui está a prova de que tem caminho para isso”, ponderou o pecuarista, proprietário da Fazenda Peniel, onde está sendo implantado uma Unidade de Referência Tecnológica (URT) do projeto com área de 33 hectares.

Para Vilson Wittman, que vive da atividade leiteira no sítio Santa Luzia, também em Alta Floresta, a viagem serviu para mostrar que as melhores práticas estão acessíveis tanto para os grandes quando para os pequenos. “Cuidar bem do gado, do pasto, da propriedade é coisa que todos podem e devem fazer”, expôs o produtor rural, que tem seis hectares de implantação da URT.

O grupo mato-grossense também pode constatar que nem sempre o “pasto do vizinho é o mais verde”, como diz o ditado popular. A referência é porque alguns solos mineiros da região visitada são mais carentes em nutrientes, necessitando maior aporte de insumos, além do fato de sofrerem com a falta de água: chove pouco e quase não existem rios e nascentes nas propriedades. Os pecuaristas precisam ter poços artesianos e, em alguns casos, até irrigar a pastagem. “Às vezes a gente reclama de barriga cheia e ainda tem resistência para aceitar fazer as coisas melhores quando estão nos ensinando, de graça”, disse Damião Carlos de Lima, cuja propriedade se localiza em Cotriguaçu e integra a iniciativa de Boas Práticas Agropecuárias desenvolvidas pelo projeto Cotriguaçu Sempre Verde naquele município.

Régis Cabral, diretor de agropecuária do Grupo Calsete, de Corinto/MG, concordou com a observação. “Vocês, em Mato Grosso, tem a oportunidade de fazer uma pecuária diferenciada, com um produto de melhor qualidade, de valor agregado e em melhores condições. É só fazer e aproveitar o mercado que existe para isso”.

Outra questão bastante discutida durante a viagem foi sobre as condições técnicas e financeiras necessárias para implementar as novas tecnologias. Neste caso, a maioria dos pecuaristas precisa recorrer a financiamentos bancários ou dispor do próprio patrimônio, o que, muitas vezes, impede a realização. “Às vezes a gente sabe que precisa melhor, mas não sabe como fazer, por onde começar. Por isso é importante projetos como esse, que oferecem a oportunidade de ter consultoria técnica, que elabora e acompanha o projeto, e ainda alguns outros benefícios”, revelou Valdomiro Ferraresi, da Fazenda 5 irmãos, de Alta Floresta.

Vando Telles volta a destacar que a grande mensagem em torno da pecuária integrada de baixo carbono é melhorar o uso e ocupação do solo com menos impacto sobre os recursos naturais, principalmente, florestas e água. “Com manejo adequado é possível aumentar a produção das áreas sem a abertura de novas. Isso diminui a pressão pelo desmatamento e melhora a conservação dos recursos naturais”, reforçou.

O exemplo prático desse conceito está lá no início do texto, na Fazendo do Flor, onde os números que foram apresentados não deixam dúvidas: aumentou a quantidade de animais de 201, em junho de 2008, para 431, em dezembro de 2012, e a produção de leite de 585 litros/dia para 1562 litros/dia, durante o mesmo período. Ainda é preciso falar que a área de pastagem destinada para a produção leiteira foi reduzida e a outra parte da propriedade possibilitou o desenvolvimento de atividades de cria e recria.

A viagem contou com o apoio do Fundo Vale, da Fundação Moore e da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID – sigla em inglês).

Para saber mais sobre o projeto de pecuária integrada de baixo carbono, clique aqui.

Tags

Leia também...

© 2020 - Conteúdo sob licenciamento Creative Commons Atribuição 2.5 Brasil ICV - Instituto Centro de Vida

Desenvolvido por Matiz Caboclo