04 Maio 2012
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Pecuária integrada de baixo carbono: uma nova forma de produzir na Amazônia

Autor: Assessoria de comunicação

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– Daniela Torezzan / ICV

Atividade recebe atenções para o desenvolvimento de tecnologias que melhorem desempenho socioeconômico e ambiental

Uma das alternativas para o desenvolvimento de uma nova economia em municípios na Amazônia passa necessariamente pela adoção de tecnologias que permitam produzir com menos impactos ambientais. Neste sentido, a pecuária, uma das principais práticas econômicas da região e que é responsável também pelos maiores impactos em termos de desmatamento e degradação ambiental, tem sido o alvo de iniciativas que propõe equilibrar a equação desempenho produtivo e ambiental.

Mato Grosso tem hoje o maior rebanho bovino do Brasil. São aproximadamente 29 milhões de cabeças distribuídas em mais de 25 milhões de hectares presentes em 71% da área desmatada do estado. Embora com números expressivos, a pecuária ainda está distante de ser um exemplo em eficiência econômica e socioambiental adequada. A atividade encontra-se ancorada em um sistema de produção extensivo e de baixa produtividade com resultados que diminuem, ano a ano, a capacidade de manutenção do atual sistema de produção.

Especialistas apontam que as possíveis causas deste cenário estejam relacionadas a dificuldade de acesso a informação técnica científica já existente para o setor e, também, aos mecanismos de adequação ambiental não atrativos para os produtores. Com isso, forma-se um cenário de utilização inadequado do solo e seus recursos naturais, resultando no desenvolvimento de uma atividade econômica baseada em resultados imediatos que geram degradação ambiental e pouca produtividade no longo prazo.

A pecuária integrada de baixo carbono foi um dos temas abordados nesta sexta-feira (04), segundo dia do Seminário Estratégias e Projetos para um Município Verde na Amazônia, realizado em Alta Floresta, região norte de Mato Grosso.

Luciano Vacari, superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), apresentou alguns números que demonstram a importância da pecuária para o desempenho econômico do estado e também iniciativas com outras atividades, como a integração lavoura-pecuária e a integração lavoura-pecuária-floresta. “Infelizmente não temos mais adesões porque não existe assistência técnica pública para isso. Estamos nas mãos de consultorias privadas que direcionam a tecnologia para pacotes de empresas”, disse.

Renato Farias, coordenador adjunto do Instituto Centro de Vida (ICV) concorda que a melhoria no processo de produção passa, necessariamente, pela adoção de novas tecnologias e que, para isso, é fundamental ações de disseminação dessas informações. “O ICV tem trabalhado no sentido da construção de programas de boas práticas agropecuárias com ênfase numa economia de baixa emissão de carbono. Temos um piloto no município de Cotriguaçu, região noroeste do estado, e agora estamos nos propondo a trazer essa experiência para Alta Floresta”, informou.

A proposta foi detalhada por Vando Telles, analista de pecuária sustentável do ICV. Ele explicou que nesse projeto as boas práticas são encaradas de forma sistêmica, englobando a gestão da propriedade. “É uma engrenagem que vai muito além do manejo de pastagem e da boa sanidade. Inclui o entendimento de todo o processo de produção, incluindo o cálculo de custos”, explicou.

O projeto tem quatro grandes eixos de ações: a implantação de unidades de referência de BPA com baixa emissão; a sistematização e disseminação dos resultados dessas unidades; a sistematização e disseminação dos resultados de recuperação de áreas de preservação permanente; e o fomento às fontes de financiamento do Plano ABC (Agricultura de Baixo Carbono – do governo federal).

As iniciativas de pecuária integrada de baixo carbono estão sendo desenvolvidas através de uma parceria com a Embrapa Agrossilvipastoril, de Sinop/MT, no âmbito do Programa de Boas Práticas Agropecuárias (BPA).

O Seminário estratégias e projetos para Um município verde na Amazônia teve início nesta quinta-feira (04) e termina hoje (05), em Alta Floresta/MT com a assinatura do Pacto por um Município Verde.

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