08 out 2010
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Hidrelétricas no Teles Pires podem tirar vida do rio, diz especialista

Autor: Assessoria de comunicação

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– Thiago Foresti / Estação Vida

Um dos impactos da possível construção de seis hidrelétricas no rio Teles Pires é a extinção dos chamados peixes reofílicos, ou seja, os peixes de correnteza, é o que diz o professor do departamento de botânica e ecologia do Instituto de Biociências da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Francisco de Arruda Machado, conhecido como Chico Peixe. Ele diz que com a construção de barragens os peixes migradores tendem a desaparecer, pois se perdem nas áreas alagadas.

“Muito se questiona sobre queimadas e desmatamento, mas nunca se contabilizam os prejuízos do desmatamento por afogamento de matas”, diz Francisco. “Isso também é nocivo para o fluxo migratório de espécies de correnteza, pois as ovas precisam de água corrente para nascer, do contrário, se perdem nas lagoas formadas ao redor da barragem e apodrecem”, explica.

No último dia 5, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) recebeu os estudos de impacto ambiental (EIA/Rima) da Usina Hidrelétrica de Teles Pires e a partir de agora será dado inicio à análise técnica do mérito.

No relatório, os técnicos também fazem menção ao problema envolvendo os peixes: “pode-se citar a alteração do regime fluvial e a interferência sobre o processo migratório de peixes, que se agrava conforme a passagem do barramento, do mais a jusante ao mais a montante, alterando as condições originais de rio e provocando a sobrevivência de espécies distintas daquelas inicialmente ocorrentes”. Para Francisco é uma pena, uma vez que as características do Teles Pires o colocam entre os rios mais piscosos que existem.

As usinas serão construídas em seis localidades ao longo do rio Teles Pires: Sinop, Colíder, Salto Magessi, São Manoel e Foz do Apiacás. Os reservatórios terão 152 quilômetros quadrados de área total, podendo gerar até 1.820 MW de energia, de acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Para o professor da UFMT, os prejuízos com as barragens não compensam a energia gerada. “O que a gente precisa se perguntar é: precisamos de toda essa energia? Se olharmos no site da Aneel vamos ver que existe uma sobra muito grande de energia no país, no entanto, estamos tratando geração de energia como um comércio, e isso não é justo para as comunidades ribeirinhas e tradicionais que sobrevivem do rio”.

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