Uma rede de comercialização solidária está criando uma relação diferente em Alta Floresta
08/06/2010 - Augusto Pereira / Estação Vida

Foto: Augusto Pereira.
Um dos grandes problemas da agricultura familiar é a comercialização, mas a venda de um produto é a ultima etapa ddeste processo. A pergunta que os agricultores precisam se fazer é: você consegue produzir na quantidade que o comércio precisa?
Para Alexandre Olival, coordenador do Instituto Ouro Verde (IOV), discutir a comercialização é discutir a frequência e a garantia de entrega dos produtos. O consumidor precisa ter certeza de que vai ter esse produto todo dia. "Será que estou vendendo meu produto na quantidade e no tamanho certo?" Não conseguir vender o produto pelo preço que o agricultor acha adequado tem origem antes da comercialização, ainda na fase da produção.
Para Olival os problemas de comercialização tem origem na separação induzida dos processos de produção e venda. Hoje em dia existem os produtores, os distribuidores e os vendedores. Como se não fosse possível o próprio agricultor beneficiar ou vender o que ele mesmo produz. A feira era o espaço natural de venda do produtor. Sem ela, o agricultor perdeu o poder de negociar e entender as tendências de produtos.
Olival conta que “muitas vezes o que o agricultor considera o produto bom mas o consumidor não. Um dos primeiros produtos que começamos a vender era o tomate orgânico. Precisamos mostrar a diferença do tomate aí a pessoa desiste de comprar o produto com veneno”.
O SiscosO Siscos é um empreendimento de comercialização solidária que aproxima consumidores e produtores dos seus objetivos finais. A ideia dessa articulação é garantir um espaço de diálogo do consumidor com o produtor. É o consumidor quem diz o que quer comprar e o agricultor que diz o que pode produzir. É preciso organizar a produção pensando na capacidade que o agricultor tem de vender.
O objetivo é que o excedente de produção passe a gerar renda, passe a envolver e contribuir com a economia da família. “Fizemos uma avaliação e descobrimos que as famílias que tinham as melhores rendas eram as que tinham mais diversidade produtiva. O estímulo à produção em grande quantidade é feito pelo comprador de leite, pelo vendedor de café. São eles que estão interessados na grande oferta para ter um preço mais baixo de compra" diz o representante do IOV.
Como o consumidor escolhe seu alimento?
O consumidor fica sabendo pela internet o que tem disponível com os agricultores e pede pelo site. Ele fica sabendo durante a semana o que foi produzido e, no sábado, chegam os produtos na quantidade que os consumidores pediram. As lideranças distribuem a lista de pedidos nos sítios. Um agricultor vai saber que foram pedidos 5 pés de alface e vai mandar somente os 5 para os consumidores. Não existe a sobra.
Produção orgânica
Produção orgânica busca o uso de práticas limpas, sem químicos, aproveitando recursos da natureza para manter as plantas saudáveis. É um princípio do Siscos, mas não um critério para comercializar. Para Glaucine Realto, agricultor orgânico e palestrante desta tarde, uma das maiores dificuldades da produção orgânica é lutar contra toda a cultura da agricultura baseada nos insumos químicos. "As escolas e universidades formam técnicos que são vendedores de veneno. A fertilidade do solo está diretamente ligada a vida no solo. Tento manter a vida mantendo o solo coberto".
As práticas empolgam a platéia de estudantes e Glaucinei continua: "Não dá para passar do convencional para o orgânico de uma vez. O agricultor vai se decepcionar e desestimular outros a praticar. O período de conversão é de 12 meses".
A III Semana de Meio Ambiente de Alta
Floresta é uma realização da prefeitura municipal, em parceria com o
Instituto Centro de Vida, a Fundação Ecológica Cristalino, a Unemat e o
Instituto Floresta, com apoio da Usaid (Agência dos Estados Unidos para o
Desenvolvimento Internacional).
A programação completa pode ser
conferida
aqui.