Durante o segundo dia do encontro Cenários e Perspectivas da Pan-Amazônia realizado em Belém pelo Fórum Amazônia Sustentável e Articulação Regional da Amazônia (ARA) os representantes de instituições ambientalistas, financiadores, empresários e comunidades tradicionais participaram de uma rodada de intercâmbio de experiências entre os países que compartilham a floresta amazônica.
São projetos que unem manejo, conservação e monitoramento da floresta amazônica e que já ocorrem no Brasil, Bolívia, Peru, Colômbia e Venezuela. Os participantes querem fortalecer a governabilidade local para garantir mais autonomia para as articulações transfronteiriças.
Na oficina sobre cenários de monitoramento de pressões na Amazônia, os palestrantes ressaltaram que os países já podem trabalhar no monitoramento do bioma de forma integrada. “Temos tecnologia, conhecimento e interesse. As ferramentas para isso em nível local, estadual, federal e transfronteira também já existem, mas para isso é necessário recurso financeiro para que as ações tenham abrangência e impactos significativos”, disse Carlos Souza, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).
Financiamento
A oficina que registou maior interesse foi a que abordou as oportunidades e desafios de financiamento para a Amazônia que contou com palestras de cinco financiadores. Para eles, há um novo perfil de projetos que priorizam a relação com os povos locais e a necessidade de entender melhor quais são as demandas para financiamento, identificando quais são os atores por trás dos pedidos. “O financiamento na Amazônia deve ser encarado como uma ferramenta e não um fim”, disse Mirela Sandrini, do Fundo Vale. Segundo ela, deve ser algo que estimule o processo e a articulação entre atores para ações entre povos e países. “Um movimento que dispare e mobilize uma nova forma de desenvolvimento”, disse ela, a especialista, o financiamento deve respeitar as dinâmicas e os conhecimentos das populações indígenas e locais.
Trocar experiências e iniciativas em manejo e desenvolvimento sustentável também foi proposta em oficina que teve o objetivo de propiciar o diálogo. Um tema chave identificado foi a necessidade de aumentar a participação nos processos de discussão dos atores locais para incidir em políticas públicas. Outra oportunidade citada foi a melhoria da gestão territorial com informações geográficas, fundamental para o monitoramento e a melhoria da governança local.
A oficina sobre economia verde e REDD+ registrou bastante participação. Após apresentação de novas iniciativas de produção responsável, de baixa emissão de carbono e inclusiva do ponto de vista socioambiental, Rubens Gomes do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA) falou sobre o processo de criação do Observatório de REDD e das salvaguardas de princípios e critérios socioambientais de REDD+. “Para nós, não importa o tipo de mecanismo envolvimento nos projetos de REDD, o fundamental é respeitar os povos da floresta e garantir que sejam observados os princípios e critérios para a implantação desses processos”, defendeu.