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Assentamentos do Alto Paraguai aprendem sobre mesa redonda da soja responsável
28/01/2010 - Gustavo Nascimento / Estação Vida
O curso reuniu 47 pessoas divididas em produtores, ongs e poder público. Foto: Gustavo Nascimento

O assentamento Peraputanga, localizado no município de Diamantino (205 Km de Cuiabá), sediou, nos dias 25 e 26 de janeiro, um curso de agroecologia, realizado pelo Instituto Centro de Vida (ICV) e o Centro de Apoio Sócio-Ambiental (Casa). Entre as discussões  debatidas no curso a R.T.R.S. – Mesa Redonda da Soja Responsável (sigla em inglês), foi uma das que chamou a atenção por não ser tão conhecida das comunidades.

Rodeados de soja pelos quatro cantos, os assentamentos da região sofrem com diversas pressões que vão desde problemas com a saúde, por viverem tão perto dos agrotóxicos,  a problemas econômicos, por não conseguirem concorrer com os grandes fazendeiros nem manter uma produção sustentável que resista as pragas que fogem das lavouras de soja pulverizadas com pesticidas.

Visando abranger essa temática com uma ampla discussão, o curso explanou do que realmente se trata a R.T.R.S, tão falada pelos meios de comunicação, porém, quase desconhecida pelos pequenos produtores. Para facilitar o entendimento, os participantes foram divididos em grupos que debaterem as 4 linhas principais dos critérios da soja responsável e os seus desdobramentos.

As linhas gerais abordadas foram: boas práticas agrícolas, condições de trabalho sustentável, relação responsável com as comunidades e princípios de responsabilidade ambiental.

Ao final, a opinião geral foi quase unânime: todas as linhas precisaram ser fiscalizadas com mais atenção, pois, na atualidade, nem uma delas é levada a sério pelos grandes e médios fazendeiros.

O assentado Edevaldo Melek disse que a R.T.R.S. agregou muito valor ao debate da soja no entorno dos assentamentos. “A importância da comunidade conhecer a R.T.R.S. é justamente para entender os acordos e critérios que estão sendo feitos e depois poder cobrar” (junto aos fazendeiros que querem a certificação ou que a tem).

Para Karin Kaechele, coordenadora adjunta do ICV, o curso conseguiu atingir o seu objetivo. “Nós conseguimos alcançar os objetivos de entender como é a vida nas comunidades no entorno da soja e levantar os principais impactos negativos”. Karin ressaltou ainda a principal reclamação dos assentados: o agrotóxico. “Um dos principais impactos citados foi o grande número de contaminações por agroquímicos e que, por muitas vezes, nem chega ao conhecimento público”.

R.T.R.S
A Mesa Redonda da Soja Responsável nasceu em 2006, reunindo produtores, indústrias, bancos e organizações, com o mesmo número de componentes e igualdade para votos e vetos.

O surgimento da mesa se deu por uma pressão dos mercados consumidores que exigiram que a soja recebesse algum tipo de certificação que deixasse claro as condições de produção, sem uso de trabalho escravo, de terras ilegais, agrotóxicos não permitidos por lei e, até mesmo, o respeito a normas ambientais. Esse tipo de certificação foi necessária também em virtude da lentidão dos governos em criar e aplicar leis mais severas contra os crimes ambientais.

No momento, a mesa já elaborou os princípios e critérios mundiais e agora a discussão está tratando da elaboração de princípios e critérios no Brasil.

A engenheira florestal, e uma das coordenadoras do curso de agroecologia dado no assentamento, Camila Horiye, finalizou a palestra sobre a soja e a R.T.R.S. dizendo: “A ideia era esta mesmo: mostrar o contexto da soja no cenário mundial, apresentar alternativas que tem no estado, e depois mostrar as nossas alternativas”.

A iniciativa faz parte do projeto "Protegendo as Nascentes do Rio Paraguai" executado pelo ICV nos municípios de Diamantino, Alto Paraguai e Nortelândia, envolvendo as comunidades dos assentamentos Peraputanga, Capão Verde, Caeté e Raimundo Rocha. O projeto é financiado pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN - International Union for Conservation of Nature, em inglês) e pela Solidaridad.


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