Agricultores conhecem alternativas para recuperar o passivo ambiental
10/06/2010 - Augusto Pereira / Estação Vida
O MT Legal traz para o agricultor a grande necessidade de recuperação ambiental. Por isso, a programação da III Semana de Meio Ambiente de Alta Floresta trouxe para o debate duas técnicas diferentes. Os sistemas agroflorestais e o plantio com plantadeiras foram apresentados, nesta quarta-feira, como possibilidades para agricultores e estudantes de engenharia florestal de recuperação de APPs (Áreas de Preservação Permanentes) degradadas.
Vinícius Arantes, do Instituto Ouro Verde (IOV), mostrou as vantagens do plantio de árvores com agrofloresta. A técnica é permitida para a recuperação de APPs já que o cultivo permite que as árvores definitivas cresçam juntas. Com o plantio misto é possível plantar e colher diversos produtos na mesma área. Junto com as árvores que serão plantadas para a recuperação pode-se plantar também milho, mandioca, abóbora, melancia, feijão na mesma área. As plantas que dão fruto primeiro morrem deixando espaço para a próxima colheita.
A adaptação de sementes ao solo é melhor que a de mudas. O plantio de mudas é mais caro, mais pesado e requer mais cuidado. Além disso, a chance de uma semente germinada no solo definitivo vingar é bem maior que de uma muda. “Uma muda nasceu sob a sombra, recebeu água e adubo regularmente. Na hora de ir para o chão enfrenta o sol e um solo diferente. A semente germinada no mesmo local onde vai crescer já nasce sabendo onde está”, diz Vinícius.
Nesse sistema, a mandioca ocupa um papel importante, ela faz o trabalho de descompactação do solo. Direcionando as raízes da mandioca a sua colheita não causa dano às plantas que permanecem no sistema. No plantio de agroflorestas é preciso pensar no tamanho das copas das árvores e na altura que cada uma vai ficar. Árvores de pequeno porte não competem com as altas. O espaçamento entre as sementes e a quantidade delas precisa ser considerado.
Plantio de floresta mecanizado
No município de Cláudia foi experimentada outra técnica: o plantio mecanizado. Sementes de árvores e de adubação verde foram misturadas com sementes de abóbora e milho na plantadeira mecanizada. A técnica permite um plantio rápido de áreas a recuperar. Com a mecanização podem ser carregados muitos quilos de semente de uma só vez e o tempo empregado para plantar é muito menor.
Na apresentação feita por Armin Beh, engenheiro florestal do Insituto Centro de Vida - ICV, ele comparou o custo do plantio mecanizado de sementes com o plantio manual com mudas. O custo fica mil reais mais barato e com vantagens de resultados para as sementes.
Armin diz que o capim é um problema em qualquer recuperação. “O segredo é ocupar os espaços com guandu e abafar o capim. Mas do terceiro ano para frente o guandu fica ralo e deixa entrar luz. Nesse momento é importante que as árvores já estejam crescidas para começar a sombrear a área e cobrir o capim” diz ele.
A III Semana de Meio Ambiente de Alta Floresta é uma realização da prefeitura municipal, em parceria com o Instituto Centro de Vida, a Fundação Ecológica Cristalino, a Unemat e o Instituto Floresta, com apoio da Usaid (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional).