Primeiro lançamento do livro Ocekadi: Hidrelétricas, Conflitos Socioambientais e Resistência na Bacia do Tapajós, em Mato Grosso, leva público à reflexão

Primeiro lançamento do livro Ocekadi: Hidrelétricas, Conflitos Socioambientais e Resistência na Bacia do Tapajós, em Mato Grosso, leva público à reflexão

Apresentação do livro foi feita por João Andrade, do ICV. Foto: Sucena Shkrada Resk/ICV
Apresentação do livro foi feita por João Andrade, do ICV. Foto: Sucena Shkrada Resk/ICV

O primeiro lançamento em Mato Grosso, do livro Ocekadi: Hidrelétricas, Conflitos Socioambientais e Resistência na Bacia do Tapajós aconteceu, no dia 2 de agosto, durante o II Fórum Popular de Zoneamento Socioeconômico Ecológico (ZSEE) do Estado de Mato Grosso, em Várzea Grande. A obra levou à reflexão o público presente, formado por representantes de povos tradicionais, da academia e de organizações socioambientais, que a Bacia do Tapajós incorpora as bacias do Teles Pires e Juruena, que são importantes cursos hídricos no estado, onde estão programadas dezenas de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e hidrelétricas. Durante a programação, foram sorteados 10 exemplares aos participantes.

João Andrade, coordenador do Núcleo de Redes Socioambientais do Instituto Centro de Vida (ICV), uma das organizações apoiadoras da obra, expôs a importância de o livro, composto por 25 artigos escritos por volta de 50 autores, trazer uma rica diversidade de temas que envolvem desde aspectos jurídicos aos direitos de populações atingidas.

Jairo Narciso da Silva, assentado da Gleba Mercedes 5, em Sinop, membro do Movimentos dos Atingidos por Barragens (MAB) e também do Fórum Teles Pires, convidado para o lançamento, também pôde expressar sua opinião. “Fiquei durante uma semana, lendo o livro, que traz um conhecimento a ser mais aprofundado, por nós, sobre o setor energético e esclarecimentos sobre mudanças de legislações desses grandes empreendimentos que nos afetam. Nós, assentados, como ribeirinhos e quilombolas também somos atingidos ao longo desses rios, com os índios”, diz.

Jairo Narciso expôs sua leitura sobre o livro, na ótica de assentado, cuja área onde mora será afetada por UHE. Foto: Sucena Shkrada Resk/ICV
Jairo Narciso expôs sua leitura sobre o livro, na ótica de assentado, cuja área onde mora será afetada por UHE. Foto: Sucena Shkrada Resk/ICV

“A obra apresenta como um dos destaques, um panorama geral de povos indígenas do estado de Mato Grosso e dos principais conflitos socioambientais e resistência deles à construção dessas usinas. O mapa (encartado) também é bem claro. Eu não tinha noção que havia tantos empreendimentos em operação e projetados”, disse Jocieli Bertoncello, mestranda em Educação, pelo Grupo Pesquisador em Educação Ambiental (GPEA) da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT).

Segundo Jocieli, que é natural do município de Juara, apesar de estar estudando longe de sua cidade, acompanha a movimentação sobre a construção da usina hidrelétrica Castanheira no Município de Juara, no rio Arinos, na Bacia Hidrográfica do Juruena. “O nome da usina está relacionado em virtude da enorme castanheira (árvore típica) que fica onde será construída a usina”, diz.

O que mais a deixa preocupada é que, de acordo com a estudante, grande parte dos habitantes do município enxerga isso como uma possibilidade de desenvolvimento e oferta de empregos para a população local. “A população não percebe as inúmeras perdas que o município terá. A usina afetará de forma direta duas comunidades – Palmital e Pedreira – que perderão suas terras, pois ocorrerá a inundação das áreas que ficam próximas ao rio. Muitos moradores dependem dessa terra para sobreviver”, afirma. Ao mesmo tempo, ela explica que os povos indígenas kaiabi, Munduruku, Apiacá e Rikbatsa também serão afetados, pois é do rio que sai grande parte da alimentação para os mesmos.

Para Luiz Antonio de Lima Campos, presidente da Associação de Bairro Garcêz, em Cáceres, a importância da obra é trazer conhecimento sobre as implicações ambientais que uma usina hidrelétrica pode trazer. “Para povos ribeirinhos, pode prejudicar a pesca e sua própria alimentação”, afirma.

A organização da obra é de Daniela Fernandes Alarcon, Brent Millikan e Maurício Torres. O livro é uma iniciativa do International Rivers Brasil e do Programa de Antropologia e Arqueologia da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) em parceria com o Instituto Centro de Vida (ICV), a Operação Amazônia Nativa (OPAN) e o Instituto Socioambiental (ISA) e tem o apoio da Charles Stewart – Mott Foundation e do Fundo Socioambiental Casa. O próximo lançamento está programado para o dia 18 de agosto, às 20h, no Encontro dos Atingidos, no auditório da AduFMAT, da UFMT/Sinop, organizado pelo Fórum Teles Pires. A sua versão digital pode ser acessada neste link .

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